Cuba restabelece progressivamente energia após terceiro apagão nacional em seis meses
Segundo o boletim mais recente da Empresa Elétrica de Havana, foram restabelecidos os "circuitos de distribuição que beneficiam 262.369 clientes (...) 30,4% na cidade"
Publicado: 07/07/2026 às 06:49
Pessoas caminham por uma rua durante um apagão nacional em Havana (YAMIL LAGE/AFP)
Cuba anunciou nesta terça-feira (7) que restabeleceu mais de 30% do fornecimento de energia elétrica em Havana, após um novo apagão nacional, em um contexto de crise energética agravada por um bloqueio petroleiro dos Estados Unidos.
Este foi o terceiro apagão nos últimos seis meses e o oitavo desde o fim de 2024.
Segundo o boletim mais recente da Empresa Elétrica de Havana, foram restabelecidos os "circuitos de distribuição que beneficiam 262.369 clientes (...) 30,4% na cidade".
"O restabelecimento acontece de forma gradual, à medida que as condições permitem", acrescenta a empresa, que cita a operação dos serviços "vitais de saúde" de 43 centros de atendimento médico da capital.
A falta de combustível "dificulta, indiscutivelmente, o processo de restabelecimento" da energia, declarou na segunda-feira na TV estatal o diretor de Eletricidade do Ministério de Minas e Energia, Lázaro Guerra.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, responsabilizou a política de sanções americana contra a ilha. "Enquanto os Estados Unidos tentam induzir uma explosão social por asfixia, ao bloquear os acessos de combustível a Cuba, a UNE (União Elétrica de Cuba) se mobiliza", escreveu na rede social X.
"É heroico o que os funcionários fazem em meio a um bloqueio energético genocida", acrescentou.
Ao meio-dia de segunda-feira, a empresa de energia anunciou um "desligamento total" do sistema que afeta toda a ilha, onde vivem 9,6 milhões de pessoas. As causas não foram informadas.
O envelhecimento do sistema elétrico e o bloqueio petroleiro americano desde janeiro fazem com que os cubanos enfrentem apagões de até 30 horas na capital e de vários dias no interior da ilha.
"Tínhamos três ou quatro horas de eletricidade por dia, então o maior impacto agora é que você não sabe quando voltará a ter esse pouquinho de energia", disse à AFP Meybol Font, trabalhadora autônoma de 51 anos. "É angustiante viver assim."
A produção de eletricidade no país depende principalmente de sete usinas termelétricas obsoletas, algumas das quais operam há mais de 40 anos e sofrem falhas frequentes ou precisam ser paralisadas para manutenção, além de uma rede de geradores de emergência abastecidos com diesel importado.
A usina termelétrica Antonio Guiteras, localizada no oeste da ilha e a principal do país, está paralisada há dias devido a uma falha. Desde o início do ano, essa usina já registrou mais de 15 paralisações consecutivas provocadas por defeitos, uma situação que provoca cortes e racionamentos constantes, apesar de um programa de construção de parques solares lançado há dois anos.
Debate na ONU
Cuba atravessa uma grave crise econômica marcada pela escassez de alimentos e medicamentos e pela inflação elevada.
Os apagões se intensificaram desde que o governo de Donald Trump interrompeu os envios de petróleo da Venezuela, principal fornecedora da ilha, e ameaçou impor sanções a outros países que comercializem combustível com Havana.
Um programador de 24 anos que trabalha para uma empresa privada de desenvolvimento de software em Havana Velha voltava para casa frustrado. "Não temos wi-fi, não temos eletricidade, não conseguimos trabalhar", afirmou à AFP o jovem, que preferiu não se identificar.
Cuba solicitou para esta terça-feira uma sessão especial da Assembleia Geral da ONU para discutir as sanções americanas.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou na segunda-feira que Washington tenta impedir que a Assembleia se pronuncie sobre o impacto do bloqueio petroleiro e de outras sanções impostas à ilha. "O governo dos Estados Unidos tenta impedir que a Assembleia Geral da ONU se pronuncie. Pressiona governos e busca coagir a vontade soberana dos Estados-membros", publicou Rodríguez no X.
É necessária uma votação dos Estados-membros para a abertura de um debate desse tipo na Assembleia Geral.