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Irã alerta contra interferência no Estreito de Ormuz

Segundo a mídia estatal do Irã, o regime de Teerã ainda indicou que qualquer interferência dos EUA no Estreito de Ormuz desencadearia uma resposta decisiva e rápida

Isabel Alvarez

Publicado: 02/07/2026 às 16:22

 Estreito de Ormuz/ Anadolu via AFP

Estreito de Ormuz ( Anadolu via AFP)

O Irã reafirmou hoje a sua intenção de impor um direito de passagem no Estreito de Ormuz de um modo ou de outro, uma medida considerada inaceitável pelos Estados Unidos.

O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, que se encontra em Doha para as discussões técnicas referentes ao memorando de entendimento assinado com os EUA, contrapôs nesta quinta-feira (02) que o estreito está sob o comando do Irã, não do Comando Central dos EUA (Centcom).

"A segurança da região será garantida pelo fim das intervenções e pela retirada dos EUA da área, pelo respeito pela soberania dos países e pela aceitação das novas realidades geopolíticas, não sob a proteção militar americana", frisou.

Segundo a mídia estatal do Irã, o regime de Teerã ainda indicou que qualquer interferência dos EUA no Estreito de Ormuz desencadearia uma resposta decisiva e rápida, e que a presença contínua de aeronaves norte-americanas na rota marítima põe em risco a segurança regional. Enquanto o Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya, que coordena as operações das forças armadas iranianas, também afirmou que todos os navios-tanque e comerciais devem seguir as rotas designadas por Teerã para a passagem segura pelo estreito, acrescentando que os desvios ou o incumprimento dos protocolos de navegação implicarão numa resposta imediata. "O Estreito de Ormuz não é o campo de atuação dos Estados Unidos agressores, mas antes território da soberania indiscutível da República Islâmica do Irã”, reforçou.

Em paralelo, acontecem negociações indiretas entre o Irã e os Estados Unidos no Catar, com os países mediadores, após o ataque iraniano na semana passada a dois navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz e a reação norte-americana com ataques aéreos contra território iraniano no fim de semana.

O chefe da equipe de negociadores do Irã, Mohammad Ghalibaf, já garantiu que seu país não abdicará dos seus direitos sobre esta passagem crucial no comércio marítimo global e reiterou que a isenção de taxas para o trânsito pelo estreito terá apenas a duração de 60 dias, conforme estipulado no acordo preliminar firmado com Washington.

"A soberania sobre o Estreito de Ormuz pertence ao Irão e a Omã, e o tráfego através do estreito é regido por acordos especificados pelo Irão. O Irão não abdicará dos seus direitos no Estreito de Ormuz em nenhuma circunstância, uma vez que estas são as nossas águas territoriais. Damos prioridade ao diálogo, mas se este diálogo falhar, também estamos prontos para a guerra", disse Ghalibaf, que é ainda presidente do Parlamento.

Em meio às conversações em Doha, o Centcom também informou que liderou ontem uma reunião no Bahrein com responsáveis de defesa de 12 países da região, a maioria do Golfo, na qual discutiram e analisaram o atual cenário de segurança regional e as oportunidades para reforçar a cooperação em matéria de defesa e a estabilidade regional. "As autoridades enfatizaram o seu compromisso partilhado com o livre fluxo de comércio através do Estreito de Ormuz. Continuamos a trabalhar em estreita colaboração com os nossos parceiros regionais. Estados Unidos e os seus parceiros regionais operam no Oriente Médio o sistema de defesa aérea e antimíssil ativo mais sofisticado e abrangente do mundo", comunicou o Comando Central dos EUA.

Depois dos ataques iniciais norte-americanos e israelenses contra o Irã, em fevereiro, que desencadearam a guerra, o país bloqueou efetivamente o Estreito de Ormuz, e os navios que transitam pela região desde então correm o risco de se tornarem alvos militares.

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