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Temperatura global da superfície do mar bateu recordes em junho

Os dados foram obtidos devido à estreita cooperação entre o C3S e o CMEMS

Isabel Alvarez

Publicado: 01/07/2026 às 15:38

O Serviço de Vigilância Marinha Copernicus (CMEMS) também assinalou temperaturas recorde em 21 de junho/Copernicus/ECMWF

O Serviço de Vigilância Marinha Copernicus (CMEMS) também assinalou temperaturas recorde em 21 de junho (Copernicus/ECMWF)

O programa europeu Copernicus, de observação e monitoramento da Terra, anunciou hoje seus dados mais recentes e revelou que as temperaturas globais da superfície do mar (TSM) já ultrapassaram os níveis recorde para esta época do ano, alcançados em 2023 e 2024.

“Os dados diários da TSM registrados pelo Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas do Copernicus (C3S) ultrapassaram os níveis de 2024 no dia 21 de junho, com 20,86ºC, ligeiramente acima dos 20,83ºC observados em 2023 e 2024”, diz o comunicado do Centro Europeu para as Previsões Meteorológicas a Médio Prazo.

O Serviço de Vigilância Marinha Copernicus (CMEMS) também assinalou temperaturas recorde em 21 de junho, dia em que atingiram os 21ºC, superando em 0,1ºC os recordes anteriores de 2023 e 2024.

De acordo ainda o comunicado, as elevadas temperaturas registradas geram uma atmosfera mais quente e por mais tempo, fornecem energia adicional às tempestades e aumenta a evaporação, o que eleva o risco de chuvas extremas e inundações. Além disso, contribui também para o aumento do nível do mar e para o degelo, e exerce pressão sobre os ecossistemas marinhos.

"As condições atuais podem indicar o início de uma nova fase que nos levará, mais uma vez, a um território inexplorado", alertou o diretor do C3S, Carlo Buontempo, acrescentando que, com as temperaturas oceânicas a estes níveis e a proximidade do fenômeno do El Niño é provável que se assista à quebra de recordes de temperatura nos próximos meses.

O diretor do C3S declarou que os dados fornecidos pelo Copernicus apóiam as políticas destinadas a proteger o ambiente marinho, apesar de ainda não se ter conhecimento exato se este excesso é temporário ou indicativo das condições nos próximos meses.

Nos últimos três anos, o oceano extrapolar global, que inclui as águas marinhas compreendidas entre os 60º de latitude sul e os 60º de latitude norte, registrou temperaturas entre 0,35 ºC e 0,73 ºC superiores a média a longo prazo, e em junho estas anomalias atingiram níveis recorde para esta época do ano. Este nível de aquecimento sem precedentes reflete tanto as alterações climáticas como o fenômeno de El Niño cuja intensidade provavelmente atingirá níveis que não se observavam há décadas.

Os dados obtidos, conclui-se, foram possíveis devido à estreita cooperação entre o C3S, que oferece uma perspectiva climática mais ampla do sistema terrestre, e o CMEMS, que fornece análises e previsões oceânicas mais detalhadas.

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