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Ataque israelense mata mãe e bebê e fere 12 pessoas em Gaza

A ofensiva causou um extenso incêndio que também destruiu cerca de 100 tendas onde viviam milhares de palestinos deslocados

Isabel Alvarez

Publicado: 30/06/2026 às 18:12

Destruição após ataque israelense na Faixa de Gaza /OMAR AL-QATTAA / AFP

Destruição após ataque israelense na Faixa de Gaza (OMAR AL-QATTAA / AFP)

Um ataque israelense na noite de segunda-feira (29) no campo de refugiados em Al-Mawasi, na cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, matou Sawar Abu Draz, de um ano, e a sua mãe, Diana Abu Draz, de 23 anos, e feriu outras 12 pessoas.

A ofensiva causou um extenso incêndio que também destruiu cerca de 100 tendas onde viviam milhares de palestinos deslocados. Apesar de um acordo de cessar-fogo vigente desde outubro passado, operações militares pontuais e bombardeios continuam ocorrendo no enclave, em um momento em que as Nações Unidas acusaram Israel de alvejar crianças. Uma comissão internacional independente da ONU divulgou recentemente um relatório, no qual denuncia que as forças israelenses visaram crianças deliberadamente e de cometer genocídio na Faixa de Gaza. O governo israelense, por outro lado, negou, e classificou as alegações como uma "farsa difamatória".

 

Grave situação humanitária em meio ao silêncio do mundo

Embora a situação em Gaza pareça ter desaparecido das manchetes da mídia internacional, a maioria da população permanece deslocada, carente de ajuda humanitária e sofrendo com o bloqueio israelense. Mais de 50 mil pessoas precisam de reabilitação urgente e a longo prazo, de acordo com o último relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Mas o acesso aos cuidados não é garantido, uma vez que os poucos serviços que a fornecem estão gravemente sobrecarregados. A Organização Mundial da Saúde estimou que cerca de 50 mil tem ferimentos permanentes, sendo uma em cada quatro crianças. Os ferimentos graves incluem lesões nos membros, amputações, lesões na medula espinhal, queimaduras e traumatismo craniano.

“Nenhuma instalação de reabilitação está totalmente operacional, o acesso a cuidados especializados é limitado e persistem a grave escassez de equipamentos, geradores de emergência, próteses, medicamentos e auxílios devido às restrições de importação", diz o OCHA.

Os dados oficiais indicam que Gaza tem o maior número de crianças amputadas na história moderna. Desde o início do conflito, mais de 64 mil crianças foram mortas ou gravemente feridas. O impacto da guerra na população infantil atingiu proporções catastróficas, traçando um quadro trágico que afeta quase todas da região. Além disso, 56 mil ficaram órfãs e um milhão de crianças se encontra em extrema necessidade de assistência humanitária, apoio psicológico e cuidados médicos.

O OCHA descreve que as condições de vida da população são terríveis e precárias há mais de dois anos e exposta a riscos contínuos a saúde, sobretudo as infecções, com uma calamidade sanitária e ambiental sem precedentes. A crise hídrica é particularmente grave, com o abastecimento de água potável extremamente limitado e as áreas marinhas comprometidas. O ar está cada vez mais poluído, as doenças respiratórias estão aumentando e dioxinas, substâncias altamente tóxicas e cancerígenas, estão sendo liberadas. A Faixa de Gaza perdeu 97% de suas plantações de árvores, 95% de seus arbustos e 82% de suas safras anuais, tornando impossível a produção de alimentos em larga escala. Nesse contexto, mais de 500 mil pessoas estão em situação de penúria.

Enquanto isso, a OCHA aponta que os ataques contra áreas residenciais continuam. Pelo menos quase mil pessoas foram mortas por ataques israelenses desde que o acordo de cessar-fogo em entrou em vigor.

As Forças de Defesa de Israel mantêm o controle e a ocupação de mais da metade da área do enclave, mas reduziu as linhas de combate pós-trégua.

 

Israel planeja construir assentamentos judeus em Gaza

Segundo o ministro israelense Bezalel Smotrich, Israel pretende iniciar imediatamente a construção de três assentamentos na Faixa de Gaza. "A Administração de Assentamentos, sob a minha direção no Ministério da Defesa, concluiu o seu planejamento e estamos prontos para estabelecer três colônias imediatamente, assim que recebermos luz verde do primeiro-ministro", declarou.

Líder da ala radical e extremista do governo de Benjamin Netanyahu, Smotrich acrescentou que Israel deve completar a conquista do território restante em Gaza, derrotar o Hamas e estabelecer um cinturão de colônias judaicas.

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