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ORIENTE MÉDIO

Reunião entre EUA e Catar discute acordo preliminar com o Irã

Negociadores se encontraram com o primeiro-ministro do Catar, Xeique Mohammed bin Abdul Rahman bin Jassim Al Thani

Isabel Alvarez

Publicado: 30/06/2026 às 16:23

Xeique Mohammed bin Abdul Rahman bin Jassim Al Thani/AFP

Xeique Mohammed bin Abdul Rahman bin Jassim Al Thani (AFP)

Os enviados especiais dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner estão em Doha para mais uma etapa das negociações para o fim da guerra no Irã, onde se encontraram com o primeiro-ministro do Catar, Xeique Mohammed bin Abdul Rahman bin Jassim Al Thani. A reunião contou ainda com outros mediadores e visou discutir e analisar o andamento das negociações sobre o acordo preliminar firmado entre Washington e Teerã.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar adiantou que sobre a situação no Estreito de Ormuz o governo catari usou uma linha direta para reduzir a tensão e conter a recente troca de artilharia entre os EUA e o Irã. Doha, além disso, apontou que está coordenando com Omã para garantir a passagem segura de navios por esta rota marítima estratégica.

Na quarta-feira (01), a delegação norte-americana participará também de um encontro com a presença de representantes do Paquistão, principal mediador entre as autoridades dos dois lados.

Por sua vez, o Irã descartou uma reunião direta com os EUA, no Catar, para discutir o seu programa nuclear. Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, disse que não haverá nenhuma negociação, em nenhum nível, com a parte norteamericana em Doha e que a viagem da delegação iraniana ao país é apenas para abordar e garantir com as autoridades cataris a liberação de ativos bloqueados, seguindo a aplicação de uma das cláusulas do memorando de entendimento assinado com Washington.

Baghaei destacou que o seu país ainda não entrou na fase de negociação para um acordo definitivo, uma vez que, segundo a décima terceira cláusula, essas conversações só poderão começar quando forem efetivamente aplicadas as disposições relativas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a reabertura do Estreito de Ormuz, a suspensão das sanções ao petróleo e aos produtos petroquímicos e a liberação dos fundos iranianos. O porta-voz acrescentou ainda que “Seis bilhões de dólares em ativos iranianos congelados continuam sem ser transferidos para Teerã”, acrescentou um porta-voz da chancelaria catari.

O governo de Teerã também recusou o auxílio de outros países para a retirada de minas do Estreito. "A remoção de minas no Estreito de Ormuz é regulada por um memorando de entendimento específico, e Teerã não vê necessidade de intervenção de terceiros. Não há necessidade de interferência externa, o que somente complicaria a situação", afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana.

Mas, enquanto isso, Omã indicou que trabalha para cobrar taxas de serviço a navios no Estreito de Ormuz. Porém, a medida entra em conflito com as declarações de autoridades norte-americanas, que criticam a possibilidade de qualquer pagamento para trafegar pela região, uma vez que são águas internacionais.

Segundo publicação do jornal New York Times, Omã entregou aos EUA e outros aliados um plano em que as empresas de transporte serão obrigadas a pagar uma taxa para utilizar o Estreito, uma das vias navegáveis mais usadas e importantes do mundo.

A Casa Branca têm preocupações que devem ser discutidas com Omã sobre essa questão, sendo que o Irã também já demonstrou em diversas ocasiões que pretende monetizar a passagem pela região após a conclusão do fim da guerra, algo que não ocorria antes dos ataques americanos e israelenses ao território iraniano.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, declarou hoje que cobrar taxas para permitir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz é ilegal. Como alternativa, Domínguez propôs um fundo de contribuições voluntárias, um modelo que já é aplicado no estreito de Malaca, canal que liga o Oriente Médio e à Europa, e por onde passa cerca de 40% do comércio global, e no estreito de Singapura. Nos dois, há um acordo entre Singapura, Indonésia e Malásia para que a circulação seja financiada principalmente através de contribuições voluntárias por parte de países que utilizam estes trajetos marítimos. Os valores são destinados a garantir segurança e o cumprimento de obrigações ambientais. "Trata-se de aprender com algo que já existe e que está a ser testado", diz Domínguez, que afirmou ter conversado sobre o assunto com representantes de Omã.

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