Onda de calor se intensifica na Europa
Essa é a segunda onda de calor em menos de um mês. Escolas serão fechadas, trens serão cancelados e haverá maior vigilância nos hospitais
Publicado: 22/06/2026 às 08:37
Pessoas tomam sol nas margens do Canal Saint-Martin enquanto a França enfrenta uma onda de calor ( AFP)
O calor sufocante que atinge o oeste da Europa, ligado às mudanças climáticas, vai se intensificar a partir desta segunda-feira (22), obrigando ao fechamento de escolas, ao cancelamento de trens e a uma maior vigilância nos hospitais.
Trata-se da segunda onda de calor a atingir milhões de europeus em menos de um mês. Segundo o consenso científico, a mudança climática provocada pela atividade humana torna mais intensos os fenômenos meteorológicos extremos.
O novo episódio, mais duradouro que o de maio, lembra a onda de calor de agosto de 2003, que marcou a Europa com mais de 70.000 mortos ao longo de suas duas semanas de duração.
Emergências em alerta
A França é o epicentro nesta segunda-feira (22). O serviço meteorológico Météo France decretou alerta vermelho, o máximo possível, em metade do país, onde vivem mais de 35 milhões de habitantes.
Durante a madrugada desta segunda-feira, recordes de calor já foram batidos em cidades do oeste como Tours, com 24,8ºC, e Poitiers, com 24,6ºC.
Paris amanheceu nesta segunda-feira com 25ºC, indica o instituto, que prevê temperaturas entre 36ºC e 43ºC para as primeiras horas do verão europeu. Os termômetros não devem baixar antes do fim da semana.
No domingo, três idosos morreram em suas residências no sudoeste da França devido às altas temperaturas, segundo autoridades. Treze pessoas se afogaram durante o fim de semana em diferentes partes do país.
A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, alertou para "um enorme aumento" no número de chamadas aos serviços de emergência, embora o sistema de saúde não esteja "particularmente sob tensão" por enquanto.
Aulas sufocantes
Mais de 800 das 60.000 escolas do país permanecerão fechadas nesta segunda-feira, enquanto outras 1.800 terão de ajustar seu horário de aulas, informou o Ministério da Educação.
Desde a semana passada, outros centros educativos vêm sugerindo aos pais que mantenham seus filhos em casa ou que os busquem na hora do almoço para tirá-los das salas de aula sufocantes.
"Na semana passada, as crianças estavam a 32°C na sala de aula(...) Todo mundo acha que é normal, mas um dia acabaremos dando aula nos corredores do supermercado" em frente, lamentou uma professora de Bordeaux, que pediu para não ser identificada.
Trens cancelados
A região de Paris cancelou preventivamente 10% dos trens. Na véspera, a companhia SNCF recomendou que pessoas "vulneráveis" os evitassem.
Mais ao norte, na Bélgica, esta semana pode ser "a mais quente já registrada", com uma temperatura média superior a 27°C, segundo David Dehenauw, do instituto meteorológico IRM.
Alguns trens em horário de pico foram cancelados nesta segunda e terça-feira neste pequeno país, onde esse tipo de transporte é muito popular, informou a SNCB, a companhia nacional de ferrovias.
Nos Países Baixos, as temperaturas podem subir a 37°C até o fim da semana, segundo as previsões locais. Um "código amarelo" está em vigor em todo o país devido a um "calor desagradável e sufocante".
Calor persistente e "intenso"
A onda de calor também atinge o restante da Europa, desde o Reino Unido, onde são esperadas as temperaturas mais altas na quarta e na quinta-feira, até os Bálcãs, onde o termômetro pode chegar a 38 ºC na Macedônia do Norte.
Na Espanha, o serviço meteorológico Aemet advertiu na rede social X sobre "temperaturas muito altas para a época, tanto de dia quanto de noite" e, embora o calor diminua na quinta-feira, "continuará intenso".
O mesmo ocorre em Portugal, onde o dia mais quente deve ser a terça-feira, segundo a agência meteorológica portuguesa, que decretou alerta laranja, o segundo nível mais elevado, em três distritos do interior do país.
O calor também deve se manter até o próximo fim de semana nos países alpinos Suíça e Áustria.