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ORIENTE MÉDIO

Israel ordena novas evacuações no sul do Líbano após os ataques à cidade de Tiro

Na terça-feira (09), pelo menos oito pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em decorrência dos intensos bombardeios aéreos

Isabel Alvarez

Publicado: 10/06/2026 às 16:23

Região de Tiro, no sul do Líbano/KAWNAT HAJU / AFP

Região de Tiro, no sul do Líbano (KAWNAT HAJU / AFP)

As forças israelenses emitiram hoje novas ordens de evacuação para três localidades do sul do Líbano. O porta-voz em árabe do Exército de Israel, Avichai Adrai, informou que as ordens afetam as localidades de Qasaniyé, Humin al Fauqa e Ansariya, ressaltando que o Exército se vê obrigado a agir contra o grupo xiita libanês Hezbollah pró-iraniano, devido às suas frequentes violações do cessar-fogo.

"Quem se encontrar perto de elementos do Hezbollah, das suas instalações e dos seus meios de combate, coloca a sua vida em perigo", indicou Adrai.

O porta-voz comunicou que, nas últimas 24 horas, foram lançados vários ataques contra infraestruturas do Hezbollah em Tiro, onde a maioria dos habitantes é cristã, além de ofensivas contra outras zonas do sul do país. Na terça-feira (09), pelo menos oito pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em decorrência dos intensos bombardeios aéreos, que atingiram também uma área residencial da histórica cidade portuária de Tiro, a maior do sul do Líbano. As forças israelenses ordenaram, inclusive, a evacuação da região cristã da cidade, que vinha sendo poupada até o momento e resultou na fuga em massa de civis. Israel classifica agora a região como zona de combate.

Por outro lado, o Hezbollah mantém confrontos contra alvos israelenses, uma vez que rejeita o cessar-fogo estabelecido entre os representantes de Israel e do Líbano, com a mediação dos Estados Unidos, na última rodada de negociações na capital norte-americana.

A escalada das tensões e os ataques também acontecem mesmo com os avisos do Irã que Israel cesse as operações militares no Líbano, caso contrário haverá retaliações, assim como o pedido do presidente dos EUA Donald Trump para que o governo de Tel Aviv interrompesse os bombardeios ao território, uma das condições impostas pelos iranianos para chegar a um acordo de paz entre Teerã e Washington.
Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ainda apelou hoje aos libaneses para se juntarem à luta de Israel contra o Hezbollah. "Israel não está em guerra com vocês. Estamos em guerra com o Hezbollah, que fez o nosso país refém. Ansiamos pela paz com vocês, com o Líbano", declarou o premiê num vídeo divulgado pelo seu gabinete.

Porém, Netanyahu prometeu continuar com ações fortes contra o Irã e os seus aliados, em resposta as críticas feitas hoje pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

Erdogan afirmou que os ataques de Israel na Síria e no Líbano atingiram um ponto em que também representam uma ameaça para a Turquia. “A agressão de Israel constitui uma ameaça para o mundo inteiro e deve ser travada. Existem iniciativas lideradas por Israel para desestabilizar a região do Mediterrâneo”, acusou

Enquanto isso, a ONG World Vision, uma das maiores organizações cristãs do mundo, manifestou a sua preocupação com a mais recente onda de deslocações no sul do território Líbano, que afetou cerca de 80 mil famílias forçadas a abandonar as suas casas.

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