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Cuba diz que pediu ajuda da ONU para deter agressão militar dos EUA

O chanceler da ilha declarou que a crise humanitária da população é uma consequência do bloqueio por parte do governo norte-americano

Isabel Alvarez

Publicado: 27/05/2026 às 20:16

Cuba acusa EUA de 'extorquir' países da América Latina para sufocar sua economia /AFP

Cuba acusa EUA de 'extorquir' países da América Latina para sufocar sua economia (AFP)

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, anunciou na sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas convocada pela China, que conversou com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e denunciou a grave situação humanitária que o povo cubano enfrenta devido às medidas impostas pelos Estados Unidos.

O chanceler declarou que pediu a ONU a cooperação para impedir uma agressão militar dos EUA contra a ilha e que a crise humanitária da população cubana é uma consequência direta do recrudescimento extremo do bloqueio por parte do governo norte-americano, com medidas adicionais, sanções secundárias e um cerco energético brutal.

"Solicitei a contribuição da ONU para impedir uma agressão militar dos EUA contra Cuba, que provocaria um banho de sangue, e para que cessem as ameaças de uso da força. Reiterei, apesar disso e da incoerência da contraparte, a disponibilidade de Cuba para continuar as conversações bilaterais com os EUA sem ingerência nos nossos assuntos internos, sistema político ou eleições", afirmou.

Rodríguez denunciou Washington de estar realizando um ato de guerra e de genocídio com o cerco energético que impõe à ilha, que pode desencadear uma calamidade, uma vez que a situação já provoca apagões prolongados, escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos, além do agravamento das condições econômicas e sociais. “Faço um apelo à comunidade internacional para que se mobilize para evitar uma catástrofe humanitária que poderia ser imposta pela via das armas ou pelo bloqueio de combustível. O cerco norte-americano já produz impactos severos sobre a população e o governo Donald Trump estimula um cenário de escalada militar e tentativa de mudança de regime em Havana”, disse o ministro.

No entanto, garantiu estar disposto a dialogar com a administração Trump e reiterou o compromisso de Cuba com a paz e a segurança internacional, o multilateralismo, a cooperação e o respeito pelo direito internacional.

O chefe da diplomacia cubano acrescentou que também explicou a Guterres a rejeição da acusação infame, fraudulenta e ilegal apresentada pelo Departamento de Justiça dos EUA contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, em referência ao ataque pelas forças da ilha de dois aviões de pequeno porte que causou quatro mortos há trinta anos. Entre as vítimas três eram americanos.

Desde o começo deste ano, a partir da captura pelas forças norte-americanas do ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, um aliado crucial de Cuba, os EUA pressionam o governo de Havana com um bloqueio petrolífero. Além da imposição do cerco que já completou cinco meses, Washington ainda ampliou as sanções econômicas, indiciaram formalmente Raúl Castro e já deslocou o porta-aviões USS Nimitz para águas internacionais próximas a ilha, gerando temores de uma possível intervenção militar similar à ocorrida contra a Venezuela.

Analistas apontam que essas últimas ações levantam fortes suspeitas de que o governo dos EUA poderia estar realmente preparando uma invasão ou intervenção contra o regime, uma vez que Donald Trump já ameaçou assumir o controle da ilha e voltou a fazer declarações recentes que sugerem a possibilidade de uma operação contra Cuba.

Trump e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já disseram que Cuba é um "Estado falido", mas alegam que representa riscos à segurança nacional do país devido à sua proximidade geográfica.

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