Agência Internacional de Energia prevê mudança irreversível do mercado energético
A previsão é de uma crise mercado, desencadeada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz
Publicado: 11/05/2026 às 13:16
Agência Internacional de Energia prevê mudança irreversível do mercado energético (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, apresentou hoje o mais recente relatório da instituição sobre o setor energético.
Segundo o documento, a previsão da crise desencadeada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz transformará de modo irreversível o mercado energético global, no entanto isto deve incentivar o desenvolvimento dos transportes elétricos e da energia nuclear. "É demasiado cedo para determinar todas as reações a longo prazo, mas espero que os carros elétricos recebam um grande impulso", disse.
Birol ainda destacou que a gravidade da crise desencadeada pelo conflito afetou a rota marítima por onde se transportava cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. As estimativas da AIE apontam que a perda na oferta global de crude atinge 14 milhões de barris por dia, que são aproximadamente 13,5% da média do consumo mundial prevista pela agência para este ano.
O diretor frisou que apesar do cessar-fogo em vigor, o mercado já sofreu danos irreversíveis nesta crise. "Veremos anos de volatilidade nos mercados do petróleo e do gás. O dano já está feito. Muitos países deverão adotar respostas estratégicas para reduzir a dependência das importações provenientes de zonas de alto risco geopolítico, dando prioridade à produção interna, uma vez que a crise evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento", afirmou.
Birol também comparou a situação atual com a crise do petróleo de 1973, que levou a indústria a duplicar a eficiência dos combustíveis nos automóveis. Por isso, é esperado que agora haja um salto qualitativo na eficiência energética, ao mesmo tempo em que se prevê uma reconfiguração das rotas comerciais globais. "Porém, a quantidade de petróleo que estamos perdendo atualmente nesta crise energética é superior à de todas as crises energéticas que ocorreram ao longo da história", sublinhou.
O responsável garantiu que a agência está desenvolvendo os esforços diplomáticos para que outros produtores, como a Nigéria, o Brasil ou o Canadá, aumentem a produção para compensar parte do que se perdeu, entretanto é necessário adotar medidas para reduzir o consumo. Entre as possíveis ações, ele defendeu o incentivo ao transporte público, a diminuição dos limites de velocidade dos automóveis ou a facilitação do home office, avisando que quanto mais tarde haver uma reação, mais restritivas precisarão ser as medidas. "É importante dar estes passos o mais rapidamente possível, porque se esperarmos, as medidas terão de ser mais drásticas", sublinhou.
O diretor acrescentou que vários países da Ásia já tomando medidas, enquanto na Europa não parece haver a mesma consciência sobre a dimensão da crise. Birol reconhece que a situação na Ásia é mais preocupante devido à maior dependência dos fornecimentos do Golfo Pérsico, mas ressaltou que o mercado mundial de petróleo e gás é único, e a crise atinge todos os países. Além disso, o diretor da AIE indicou que a Europa corre o risco de escassez de querosene na aviação, especialmente durante as férias de verão que acontecem no hemisfério norte. "A procura vai aumentar e a oferta será instável", alertou, recordando que o consumo de combustível para aviação no continente europeu costuma ser, em agosto, 40% superior ao de março.
Por sua vez, a perspectiva da continuação das tensões geopolíticas no Oriente Médio pressionou o mercado petrolífero. O preço do petróleo já subiu hoje cerca de 3% após o presidente dos EUA Donald Trump criticar e rejeitar a última proposta do Irã para o fim da guerra.