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DETENÇÃO

ONU exige a libertação dos ativistas da flotilha com ajuda humanitária que foi detida por Israel

Ativistas foram detidos em águas internacionais do Mar Mediterrâneo

Isabel Alvarez

Publicado: 06/05/2026 às 15:35

Flotilha Global Sumud/Fethi Belaid/AFP

Flotilha Global Sumud (Fethi Belaid/AFP)

Nesta quarta-feira (06), a Organização das Nações Unidas exigiram a libertação imediata dos dois ativistas, o palestino-espanhol Saif Abukeshek e do brasileiro Thiago Ávila, detidos pelas forças israelenses durante a abordagem da flotilha Global Sumud, na semana passada em águas internacionais do Mar Mediterrâneo.

"Israel deve libertar imediata e incondicionalmente Saif Abukeshek e Thiago Ávila, membros da Flotilha Global Sumud, que foram detidos em águas internacionais e levados para Israel, onde permanecem detidos sem acusação. Os relatos perturbadores dos graves maus-tratos sofridos por Abukeshek e Ávila devem ser investigados e os responsáveis levados à justiça", declarou Thameen al Kheetan, porta-voz do gabinete do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk.

Al Kheetan destacou ainda que mostrar solidariedade e tentar entregar ajuda humanitária à população palestina da Faixa de Gaza, que dela necessita urgentemente, não é crime. O porta-voz apelou a Israel que cesse o uso da detenção arbitrária e da sua legislação antiterrorista, que descreveu como "vaga", considerando-a incompatível com o Direito Internacional dos Direitos Humanos. "Israel deve também suspender o bloqueio a Gaza e permitir e facilitar a entrada de ajuda humanitária suficiente na Faixa de Gaza cercada", acrescentou.

O pedido foi feito poucas horas antes de uma audiência num tribunal de Israel para analisar o recurso apresentado pela organização independente de direitos humanos Adalah contra a decisão de prolongar a detenção dos dois ativistas por seis dias, até ao próximo domingo. Ambos foram detidos na última quinta-feira em águas internacionais e acusados de crimes de terrorismo pelas autoridades israelenses.

Abukeshek e Ávila foram detidos juntamente com outros 170 ativistas, quando as forças israelenses interceptaram cerca de metade dos navios pertencentes à Flotilha Global Sumud, a aproximadamente 100 quilômetros da ilha grega de Creta, em águas internacionais.

No entanto, no caso destes dois, Tel Aviv decidiu extraditá-los para o seu território para serem julgados, enquanto os demais ativistas foram levados para a Grécia e libertados.

Abukeshek e Ávila estão em greve de fome desde a detenção e estão sendo interrogados por agentes israelenses. De acordo com a defesa, não há qualquer ligação entre a entrega de ajuda humanitária à população civil através da flotilha, que visava quebrar o bloqueio israelita a Gaza, e uma "organização terrorista". A defesa de ambos também disse que as leis israelenses não se aplicam porque os dois ativistas foram sequestrados a mil quilômetros da costa de Gaza e não são cidadãos de Israel.

A Flotilha Global Sumud para Gaza era inicialmente composta por cerca de 50 barcos e, segundo os seus organizadores, visava quebrar o bloqueio de Israel ao território palestino devastado pela guerra e levar ajuda humanitária, que continua severamente restrita.

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