Hezbollah viola cessar-fogo e Israel retalia com ataque ao Líbano
Trégua estendida por Trump já apresenta sinais de fragilidade no Oriente Médio
Publicado: 24/04/2026 às 14:06
Bandeira do movimento xiita libanês Hezbollah (JOSEPH EID/AFP)
Nesta sexta-feira (24), o exército israelense lançou um ataque contra o sul Líbano que matou três militantes do grupo xiita libanês pró-Irã, Hezbollah. O exercito afirmou que foi a resposta aos foguetes que atingiram a cidade fronteiriça de Shtula, no norte do país. Por outro lado, o Hezbollah assumiu que disparou foguetes contra o norte de Israel.
Já a ofensiva ocorre depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado o prolongamento do cessar-fogo por mais três semanas após as negociações que decorreram entre as duas partes em Washington. Trump também disse que o premiê israelense Benjamin Netanyahu e o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, deverão se reunir em breve, antecipando que a assinatura de um acordo de paz histórico poderá acontecer ainda este ano.
Por sua vez, o embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas (ONU), Danny Danon, admitiu que a trégua estendida com o Líbano ‘não é a 100%’. "O governo do Líbano não tem controle sobre o Hezbollah, e o Hezbollah está disparando foguetes para tentar sabotar o cessar-fogo. Israel tem de retaliar. Sempre que vemos uma ameaça, agimos. Mas, a situação atual está significativamente melhor. Não é perfeita, mas espero que o exército libanês seja capaz de implementar e fazer cumprir este cessar-fogo", indicou Danon.
Enquanto isso, o Hezbollah rejeita as negociações. Wafiq Safa, um alto membro do conselho político do grupo, declarou à agência de notícias Associated Press que não acatará qualquer acordo feito durante as negociações diretas entre os dois países.
A guerra que já provocou milhares de mortos e feridos libaneses, além de cerca de um milhão de deslocados, teve inicio quando o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel, dois dias depois de Israel e os EUA terem lançado ataques contra o Irã. As forças israelenses responderam com bombardeios generalizados no Líbano e uma invasão terrestre em que capturou dezenas de cidades e aldeias ao longo da fronteira no sul do território libanês. Atualmente, as tropas de Israel ocupam uma zona tampão que se estende em até aproximadamente 10 quilômetros no sul do Líbano.
Por outro lado, um relatório do Gabinete das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgado hoje aponta que Israel pode ter cometido graves violações do direito internacional e crimes de guerra nos seus recentes ataques ao Líbano. O documento relata ataques diretos contra civis, incluindo pessoal médico, e em alguns casos, a destruição completa de edifícios residenciais que causaram a morte de famílias inteiras.