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ACORDO

Israel afirma que cessar-fogo no Irã não inclui Hezbollah

Netanyahu também disse que este cessar-fogo não é o fim e que Israel tem mais objetivos para alcançar

Isabel Alvarez

Publicado: 08/04/2026 às 17:58

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu/ALEX KOLOMOISKY / POOL / AFP

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (ALEX KOLOMOISKY / POOL / AFP)

O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu defendeu hoje que o cessar-fogo acordado entre os Estados Unidos e o Irã não inclui o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado por Teerã, contrariando a posição do Paquistão, mediador das negociações. O premiê ainda frisou que as forças israelenses vão continuar a atacar o grupo no Líbano.

Netanyahu também disse que este cessar-fogo não é o fim e que Israel tem mais objetivos para alcançar, quer através de um acordo ou da retomada dos combates. Além disso, afirmou que o cessar-fogo entre EUA e Irã foi acordado em total cooperação com seu país e que seu governo não foi notificado no último momento.

Enquanto isso, o presidente dos EUA Donald Trump declarou que os ataques israelenses ao Líbano são um conflito à parte com o Hezbollah e garantiu que não estava incluído no acordo de cessar-fogo de duas semanas.

Já o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou o acordo entre as partes, apontou que as violações do cessar-fogo minam o espírito do processo de paz e apelou à moderação a todos os lados.

Ao longo do dia, Israel, Estados Unidos e Paquistão fizeram declarações contraditórias sobre se o Líbano estava incluído no cessar-fogo temporário. A posição do Paquistão é que o Líbano estava incluído, mas Israel e a Casa Branca afirmaram que não.

Por sua vez, a população do Líbano foi surpreendida hoje por um grande ataque israelense quando esperava um dia de paz. O número de mortos na ofensiva desta quarta-feira já chegou a 254, de acordo com o mais recente balanço do Ministério da Saúde libanês. O ataque é considerado o mais intenso desde o início do confronto com o Hezbollah. As Forças de Defesa de Israel (IDF) comunicaram ter atacado um comandante do grupo, em Beirute.

Mas, o Hezbollah disse que os ataques de Israel ao grupo reafirmam o seu direito a responder e apenas vão reforçar a determinação do grupo em resistir e combater o inimigo. Já Teerã indicou que poderá abandonar o cessar-fogo caso Israel mantenha as ofensivas militares no Líbano e decidiu retomar a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, segundo a agência iraniana Fars. De acordo com a agência, a Autoridade Marítima e Portuária do Irã diz que a passagem pelo Estreito somente poderá ser feita em coordenação com a Guarda Revolucionária, uma vez que organizou rotas alternativas seguras devido à possibilidade de existirem minas em algumas zonas. No entanto, o canal iraniano Press TV adiantou que o Estreito de Ormuz foi totalmente encerrado, forçando os petroleiros a voltarem para trás.

O governo libanês criticou os ataques e acusou Israel de atingir regiões densamente povoadas e ignorar esforços diplomáticos.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, também condenou os ataques israelenses em todo o Líbano. "A dimensão da matança e da destruição hoje no Líbano é simplesmente horrível. Tal carnificina, poucas horas após o acordo de um cessar-fogo com o Irã, desafia a realidade e a credibilidade. Exerce uma enorme pressão sobre uma paz frágil, de que os civis tanto necessitam", afirmou Türk.

Enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Egito acusou Tel Aviv de intenções premeditadas de minar os esforços regionais e mundiais para reduzir a escalada no Oriente Médio com as ofensivas ao território libanês. “São uma tentativa de provocar o caos total na região”, denunciou a chancelaria egípcia.

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