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Países ameaçam Irã com sanções se não reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz

Desde o início da guerra, o bloqueio quase total do estreito pelo regime iraniano trouxe um impacto econômico global e levou a escalada de preços no mercado

Isabel Alvarez

Publicado: 02/04/2026 às 16:38

Estreito de Ormuz/Giuseppe Cacace/AFP/Getty Images

Estreito de Ormuz (Giuseppe Cacace/AFP/Getty Images)

Segundo a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, representantes de cerca de 40 países pediram hoje na reunião convocada e presidida pelo Reino Unido, à reabertura imediata e incondicional do Estreito de Ormuz, ameaçando Teerã com novas sanções econômicas.

"O Irã está tentando manter a economia global refém no Estreito de Ormuz. Isso não pode acontecer. Para tal, os parceiros apelaram hoje à reabertura imediata e incondicional do estreito e ao respeito pelos princípios fundamentais da liberdade de navegação e do direito do mar. Na reunião, os países concordaram em explorar medidas econômicas e políticas coordenadas, como sanções, para pressionar o Irã caso o estreito se mantenha fechado", declarou Cooper.

Desde o início da guerra, o bloqueio quase total do estreito pelo regime iraniano, por onde passa normalmente pela rota um quinto da produção mundial de petróleo, além de gás natural liquefeito e fertilizantes, trouxe um impacto econômico global e levou a escalada de preços no mercado e a redução da oferta dos produtos. “Este bloqueio representa uma ameaça direta à prosperidade global”, ressaltou a ministra britânica.

O Reino Unido emitiu um comunicado, no qual informa que os países que participaram da reunião debateram a possibilidade de aumentar a pressão diplomática internacional sobre o Irã, através das Nações Unidas, assim como acordos conjuntos para reforçar a confiança nos mercados e a exploração de possíveis medidas coordenadas, tais como as sanções contra o Irã.

"Estamos firmemente determinados a explorar todas as medidas diplomáticas, econômicas e coordenadas possíveis para conseguir a reabertura do estreito. Os ataques imprudentes do Irã estão atingindo o transporte marítimo internacional, procurando sequestrar à economia global. Isso está afetando os preços da gasolina e as taxas hipotecárias aqui no Reino Unido, mas também o combustível para aviões em todo o mundo, os fertilizantes para África e também o gás para a Ásia", anunciou a ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, após a reunião, que visou o debate e a coordenação internacionais, mas não chegou a conclusões formais.

Além disso, Cooper mencionou outras medidas que poderá ser incluídas, como a colaboração com a Organização Marítima Internacional (OMI) para garantir que os navios retidos possam retomar a navegação. "Temos a certeza de que precisamos da pressão diplomática, da pressão econômica e também do trabalho que está sendo feito separadamente pelos planejadores militares sobre como manter a segurança da navegação a longo prazo, quando o conflito terminar", acrescentou.

De acordo com a OMI, aproximadamente 2 mil embarcações permanecem retidas no Golfo Pérsico.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também defendeu hoje na reunião que o bloco deve reforçar a sua missão naval Aspides de forma a proteger as principais rotas marítimas de perturbações causadas pela guerra no Médio Oriente Médio. “Hoje, analisamos medidas diplomáticas, econômicas e de segurança para restabelecer a passagem segura, a par da colaboração com o setor dos transportes marítimos. A missão naval Aspides da UE já prestou assistência a 1.700 navios no Mar Vermelho e deve ser reforçada. Não podemos nos dar ao luxo de perder mais uma rota comercial crítica”, afirmou Kallas.

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