Reino Unido mobiliza países para esforços em reabrir o Estreito de Ormuz
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, discutiram a crise no Oriente Médio nesta quarta-feira (1)
Publicado: 02/04/2026 às 14:58
Estreito de Ormuz (Giuseppe Cacace/AFP/Getty Images)
Nesta quinta-feira (2), o governo britânico organiza uma reunião com representantes de cerca de 35 países dispostos a se mobilizar em esforços para restaurar a navegação estratégica pelo Estreito de Ormuz, praticamente bloqueado pelo Irã desde o inicio dos ataques dos EUA e Israel.
A reunião convocada por iniciativa do Reino Unido surge após uma posição tomada inicialmente por Londres em conjunto com a França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão em 19 de março. O Reino Unido e a Comissão Europeia também já aliaram posições sobre a importância dos países aliados trabalharem no sentido de restabelecer a navegação marítima no estreito.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, discutiram ontem a crise no Oriente Médio e ambos reprovaram as ações iranianas no Estreito de Ormuz, que mantém a economia global como refém. "Está se tornando cada vez mais claro que, neste mundo volátil e em constante evolução, o nosso interesse nacional a longo prazo exige uma parceria mais estreita com os nossos aliados na Europa e na União Europeia", apontou Starmer.
O Reino Unido e os demais países que participarão do encontro de hoje defendem cooperação entre aliados e pretendem avaliar medidas diplomáticas e políticas viáveis para restaurar a liberdade de navegação, garantir a segurança dos navios e tripulantes retidos e assim retomar o transporte de mercadorias essenciais.
"Hoje, temos ministros das Relações Exteriores e representantes de mais de 35 países reunidos para discutir o Estreito de Ormuz, as consequências do seu encerramento, a necessidade urgente de restaurar a liberdade de navegação para o transporte marítimo internacional e nosso firme compromisso internacional com a reabertura do estreito", destacou a ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, que presidirá o encontro.
No entanto, 31 outros países, incluindo Portugal, subscreveram a mesma declaração, exigindo que o Irã cesse as suas tentativas de bloquear o estreito e se comprometendo a contribuir para os esforços adequados para garantir a passagem segura pela rota marítima.
“A Alemanha e a China desejam restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e concordam que os países individualmente não devem controlar as rotas marítimas nem cobrar pela passagem. A China ainda pode exercer a sua influência sobre o Irã para alcançar uma solução negociada e o fim das hostilidades contra as nações do Golfo”, anunciou o Ministério alemão das Relações Exteriores.
Pequim, por sua vez, reiterou hoje o apelo por um fim imediato das hostilidades no Oriente Médio e declarou que não há solução militar para o conflito, após as declarações do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que prometeu continuar atacar o território iraniano com força por mais duas semanas. "O problema não pode ser resolvido fundamentalmente por meios militares e uma escalada das hostilidades não interessa a nenhum dos lados. Instamos mais uma vez as partes envolvidas a cessarem imediatamente as operações militares e iniciarem um processo de negociações de paz o mais rápido possível. A causa principal da interrupção da navegação no Estreito de Ormuz reside nas operações militares ilegais realizadas pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Só um cessar-fogo e a cessação das hostilidades preservarão a segurança do tráfego marítimo internacional", disse Mao Ning, porta-voz da chancelaria chinesa.
Já o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que seria irrealista lançar uma operação militar para forçar a abertura do Estreito, após Trump já ter desafiado os aliados europeus a trabalhar para a sua reabertura. "Esta nunca foi uma opção que apoiamos, porque é irrealista. Levaria uma eternidade e exporia todos aqueles que atravessam o estreito aos riscos dos guardiões da revolução, bem como aos mísseis balísticos", avaliou.
Macron acrescentou também que a guerra contra o Irã não pode resolver a questão do programa nuclear de Teerã. "Não é uma ação militar direcionada, mesmo que por algumas semanas, que resolverá a questão nuclear a longo prazo. Se não houver uma estrutura para negociações diplomáticas e técnicas, a situação poderá se deteriorar novamente numa questão de meses ou anos. Só através de negociações aprofundadas, um acordo, que poderemos garantir um acompanhamento a longo prazo e preservar a paz e a estabilidade para todos", enfatizou.