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GUERRA

OTAN admite que o Irã possui mísseis que podem atingir aliados

O Secretário-geral da OTAN também apresentou na quinta-feira (26) o relatório anual da Aliança sobre os investimentos em defesa

Isabel Alvarez

Publicado: 27/03/2026 às 15:20


Secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte

/JOHN THYS / AFP

Secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte (JOHN THYS / AFP)

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, declarou que as forças iranianas podem atingir países no centro da Europa.

Rutte lembrou que Teerã já lançou mísseis balísticos contra a base militar dos Estados Unidos e Reino Unido de Diego Garcia, no Oceano Índico, uma zona estratégica no Arquipélago de Chagos, e que era considerada fora do alcance da artilharia iraniana. Apesar de um míssil ter sido interceptado por um navio de guerra dos EUA e o outro ter falhado, o incidente inédito revelou capacidades iranianas de atingir alvos de longo alcance superiores às estimadas.

“Sejamos lúcidos e conscientes do fato de que Diego Garcia fica a quatro mil quilômetros do Irã. Por isso, se um míssil iraniano é capaz de atingir Diego Garcia, trata-se de um desenvolvimento relevante, pois significa que o Irã já possui capacidades que são perigosas para os aliados. E podem fazer as contas: são quatro mil quilômetros”, disse.

Mas, o secretário-geral da OTAN tranquilizou os membros da Aliança Atlântica, ao afirmar que a organização está pronta para se defender. “A boa notícia, claro, é que os aliados estão preparados. Podemos nos defender. A OTAN é uma aliança muito forte e viram isso na Turquia com os três mísseis que foram apontados ao país. Gostaria de dizer a todos os cidadãos em território da OTAN que as nossas forças armadas estão empenhadas para garantir que temos o necessário para defender cada centímetro do território aliado”, garantiu.

O Secretário-geral da OTAN também apresentou na quinta-feira (26) o relatório anual da Aliança sobre os investimentos em defesa. De acordo com o documento, todos os aliados atingiram, em 2025, a meta de 2% de investimento em defesa. Rutte destacou que alguns até ultrapassaram a meta e os progressos são notórios.

“Em 2025, pela primeira vez, todos os aliados cumpriram a meta acordada em 2014 de investir pelo menos 2% do seu PIB na defesa, e muitos foram muito mais além. De fato, assistimos a um aumento de 20% nos gastos da Europa e do Canadá com a defesa em 2025, em comparação com 2024. Continuar esta tendência crucial será uma prioridade nos próximos anos”, indicou.

Rutte recordou ainda que durante muito tempo, os aliados europeus e do Canadá dependeram excessivamente do poderio militar dos Estados Unidos. “Não assumimos a responsabilidade suficiente pela nossa própria segurança, mas houve uma verdadeira mudança de mentalidade, um reconhecimento coletivo do nosso ambiente de segurança transformado. E como europeu, tenho orgulho no que estamos fazendo. Do tremendo progresso que está sendo feito. Estamos a investir porque é essencial sermos capazes de enfrentar as ameaças que enfrentamos”, apontou.

E, apesar das declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que chamou os aliados europeus de covardes, Mark Rutte elogiou o líder dos EUA.

“Os Estados Unidos, sob a presidência de Trump, estão realizando ações fundamentais para a aliança. Garantiu que toda a Aliança atingisse a meta de 2%. Não tenho a certeza se teríamos atingido este objetivo no final do ano passado sem o presidente Trump. E depois, em Haia, acordamos a meta de despesas em 5%. Nem todos os europeus gostam que eu repita isto, mas é verdade: sem Trump, acho que isso não teria acontecido”, concluiu.

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