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ORIENTE MÉDIO

Israel e países do Golfo Pérsico são alvos de novos ataques iranianos

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, assegurou que não foram retomadas as negociações com os Estados Unidos, conforme divulgado pela Casa Branca

Isabel Alvarez

Publicado: 23/03/2026 às 16:58

Rastros de foguetes são vistos no céu em meio a uma nova onda de ataques com mísseis iranianos /JACK GUEZ / AFP

Rastros de foguetes são vistos no céu em meio a uma nova onda de ataques com mísseis iranianos (JACK GUEZ / AFP)

A Guarda Revolucionária do Irã diz ter atingido alvos no norte, centro e sul de Israel além de três bases militares dos EUA. Segundo a agência de notícias Tasnim, associada à Guarda Revolucionária Islâmica, foram atingidas as bases de Ali Al Salem, no Kuwait, uma em Al-Kharj, na Arábia Saudita, e Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também assegurou hoje que não foram retomadas as negociações com os Estados Unidos, conforme divulgado pela Casa Branca. “Não houve quaisquer negociações com os EUA. As notícias falsas estão sendo usadas para manipular os mercados financeiros e petrolíferos e para escapar ao atoleiro em que os EUA e Israel se encontram”, escreveu Ghalibaf, na rede social X, exigindo ainda a punição completa dos agressores e sublinhando que o Líder Supremo iraniano conta com o apoio do povo e das autoridades do país.

A agência de notícias da República Islâmica citou também que o chanceler iraniano avançou que houve contatos de países amigos no sentido de retomar as conversações e com indicações de pedidos dos EUA para uma negociação que acabe a guerra, mas Teerã recusou.

No entanto, segundo publicação do site Axios, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, discutiu esforços para iniciar negociações com o Irã durante um telefonema nesta segunda-feira (23) com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. A mídia reportou que conversaram sobre um possível acordo para pôr fim à guerra conjunta dos EUA e Israel contra o Irã.

Por outro lado, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita comunicou que a região de Riade, continua sendo alvo de Teerã. Hoje dois mísseis balísticos iranianos foram lançados, mas as autoridades sauditas informaram que um deles foi interceptado e o outro caiu numa zona desabitada.

Nos Emirados Árabes Unidos, outro país que tem sido alvo do regime iraniano, anunciou que está reagindo a ameaças de mísseis e drones provenientes do Irã. “As explosões ouvidas são o resultado da interceptação desses armamentos pelos sistemas de defesa aérea", disse o Ministério da Defesa do país.

Mas, o conselheiro do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, criticou as principais nações da região do Oriente Médio por não apoiarem os países árabes do Golfo em tempos de dificuldade. "Onde estão as instituições árabes e islâmicas atuantes, principalmente a Liga Árabe e a Organização da Cooperação Islâmica, enquanto os nossos povos e nações enfrentam esta agressão traiçoeira do Irã? Onde estão os principais países árabes e regionais? Os Estados árabes do Golfo foram um apoio e um parceiro para todos em tempos de prosperidade. Então, onde estão hoje em tempos de dificuldade?", questionou na rede social.

Para Gargash, nesta ausência e incapacidade, é inaceitável falar posteriormente sobre o declínio do papel árabe e islâmico ou ainda criticar a presença americana e ocidental.

No Bahrein, o Ministério do Interior emitiu um alerta nas redes sociais em que pediu aos cidadãos e residentes para manterem a calma e se dirigirem ao local seguro mais próximo, sem detalhar mais informações.

Teerã tem atacado instalações militares norte-americanas, assim como infraestruturas civis, como aeroportos, portos e instalações petrolíferas em vários países na região do Golfo, em resposta a ataques semelhantes no país por parte de Israel e dos Estados Unidos.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, afirmou hoje que o país está trabalhando intensamente para garantir a passagem segura dos navios pelo Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que destacou a crise econômica desencadeada pelo conflito. "Independentemente da sua opinião sobre o Irã, esta guerra não foi criada por eles. Já está provocando problemas econômicos generalizados e temo que a situação se agrave muito se a guerra continuar", pontuou Albusaidi no X.

Além disso, um alerta de segurança foi dado hoje na embaixada dos EUA em Mascate.

Já os preços do petróleo tiveram uma queda nesta segunda-feira após o presidente dos Estados Unidos anuncia uma trégua de cinco dias, suspendendo os ataques a infraestruturas energéticas iranianas, e assegurando que existem conversas entre os dois governos. O preço do barril Brent caiu para cerca de 96 dólares por barril.

 

UE se reúne para discutir sobre o gás natural

O grupo de coordenação de gás natural da União Europeia, que inclui representantes dos governos de todos os membros e monitora o armazenamento e abastecimento de gás natural, vai se reunir na próxima quinta-feira para discutir o impacto da guerra no Irã no fornecimento do produto no bloco e debater sobre as eventuais medidas que devem ser aplicadas. A Comissão Européia também pediu que UE armazene gás, num momento em que as reservas estão abaixo de 30%.

Enquanto isso, o primeiro-ministro do Reino Unido Keir Starmer afirmou que não existem indícios de que o país sofra qualquer ameaça por parte das forças iranianas e que as avaliações de segurança são feitas de forma contínua. O premiê britânico fez as declarações depois de relatos no fim de semana de que o Irã tinha disparado mísseis balísticos contra a base militar dos Estados Unidos do Reino Unido, em Diego Garcia, no Oceano Índico. “Qualquer cenário envolvendo o Estreito de Ormuz exige uma análise cuidadosa e uma resposta planejada” acrescentou, apontando como prioridade a defesa dos interesses nacionais e a redução da tensão na região do Oriente Médio.

 

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