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Irã negou iniciativas diretas com os Estados Unidos sobre a guerra

"Não somos nós que iniciamos esta guerra, e todos estes pedidos devem ser encaminhados para Washington", declarou a chancelaria do país

Isabel Alvarez

Publicado: 23/03/2026 às 13:11

Bandeira do Irã/BLANCA CRUZ / AFP

Bandeira do Irã (BLANCA CRUZ / AFP)

O governo iraniano negou qualquer diálogo com os Estados Unidos e afirmou que as alegações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após anunciar que está em conversações com Teerã sobre um acordo para o fim da guerra e que fará uma trégua de cinco dias, são uma tentativa de reduzir os preços da energia, um recuo por causa das ameaças feitas pelo Irã e ainda para ganhar tempo para os seus planos militares.

A agência estatal de noticias iraniana também desmentiu a existência de quaisquer negociações com Washington, referindo que a decisão norte-americana de recuar nos ataques à infraestruturas energéticas iranianas foi motivada apenas pela pressão dos mercados financeiros e medo das respostas de Teerã.

Mas, segundo publicou a agência de notícias Mehr, o Ministério das Relações Exteriores do Irã reconheceu que há iniciativas indiretas por meio de países da região para desescalar as tensões do conflito. “A nossa resposta a todas elas é clara: não somos nós que iniciamos esta guerra, e todos estes pedidos devem ser encaminhados para Washington”, declarou a chancelaria.

Já o portal Axios revelou que a Turquia, Egito e Paquistão têm intermediado mensagens entre a Casa Branca e o regime iraniano nos últimos dois dias. A mídia relatou que enviados dos três países mantiveram conversações com o enviado-especial dos EUA, Steve Wiktoff, e com o ministro das Relações Exteriores dos Negócios Estrangeiros do Irã, Abbas Araghchi.

"A mediação está em andamento e faz progressos. A discussão é sobre acabar a guerra e resolver todos os assuntos. Esperamos respostas em breve", disse uma fonte, sob anonimato, ao portal.

Enquanto isso, logo depois da declaração de Trump sobre a pausa, Israel realizou um grande ataque a Teerã. De acordo com o comunicado das Forças de Defesa de Israel (FDI), foram atacados alvos estruturais do país.

Por sua vez, Trump afirmou que existem pontos importantes de acordo com o Irã após negociações que se prolongaram até domingo à noite com dois importantes enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, porém não citou com quem os norte-americanos estavam falando no Irã, especificando somente que se tratava de um líder respeitado e que não é o Líder Supremo Mojtaba Khamenei.

"Veremos onde isto nos leva. As negociações correram, diria eu, na perfeição. Diria que, se levarem isto avante, acabará com este problema, com este conflito, e penso que o resolverão de forma muito, muito substancial. Eles querem muito fechar um acordo. Nós também gostaríamos de fechar um acordo. Haverá novas chamadas telefônicas hoje, seguidas de um encontro presencial muito, muito em breve. Vamos fazer um período de cinco dias, vamos ver como corre. Se correr bem, vamos acabar por resolver isto. Caso contrário, vamos continuar a bombardear sem parar”, disse Trump.

Além disso, Trump detalhou que não quer nenhuma bomba nuclear, nenhuma arma nuclear e também que os EUA tomem posse do urânio altamente enriquecido do Irã. “A poeira nuclear. Vamos querer isso. E acho que vamos conseguir. Já concordamos com isso”, adinatou.

Trump reafirmou que havia uma ameaça iminente da parte do Irã, que, entretanto, eles concordarem agora em não ter uma arma nuclear. Ainda acrescentou que não considera a liderança de Mojtaba Khamenei, até porque tem outras ideias. “Talvez uma liderança conjunta. Será uma forma séria de mudança de regime. Mas estamos lidando com pessoas que considero muito razoáveis, muito sólidas. As pessoas que estão lá dentro sabem quem são, são muito respeitadas, e talvez uma delas seja exatamente o que procuramos”, assinalou, sugerindo que pode encontrar um líder como fez na Venezuela.

O líder norte-americano declarou ainda que o Estreito de Ormuz será aberto muito em breve, se as negociações com Teerã continuarem num ritmo acelerado, e que pretende que rota marítima fique sob o controle conjunto dos EUA e do Irã.

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