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Hungria diz que manterá bloqueio do empréstimo da União Europa para a Ucrânia

A Hungria, embora o tenha aprovado o empréstimo em reunião no ano passado, agora mantém o bloqueio de pacotes de ajuda a Kiev

Isabel Alvarez

Publicado: 19/03/2026 às 18:06

O premier da Hungria, Viktor Orban. Foto: Dieter Nagl/AFP/Arquivos/

O premier da Hungria, Viktor Orban. Foto: Dieter Nagl/AFP/Arquivos ()

Os líderes da União Europeia discutiram hoje no Conselho Europeu o empréstimo de 90 bilhões à Ucrânia, que já foi aprovado anteriormente numa cúpula dos membros do bloco em dezembro.

Entretanto, a Hungria, embora o tenha aprovado na ocasião da reunião no ano passado, agora mantém o bloqueio de pacotes de ajuda a Kiev, o que representa um impasse aos dirigentes da UE.

O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán recusou mais uma vez a suspendê-lo e disse que a decisão do seu governo de bloquear o empréstimo é juridicamente sustentada. Orbán avisou que não aprovará nem fundos ou qualquer medida a favor da Ucrânia enquanto o seu país não receber petróleo, ressaltando que é uma ‘questão existencial’ para o governo de Budapeste.

A Hungria acusa Kiev de dificultar propositadamente a transferência de petróleo para o seu país através do oleoduto de Druzhba, algo que a Ucrânia nega. “A posição húngara é muito simples: estamos disponíveis para apoiar a Ucrânia assim que recebermos o petróleo que eles estão bloqueando”, alertou Orbán.

O oleoduto russo Druzhba é uma das maiores redes de oleodutos do mundo e representa, atualmente, uma linha energética essencial, apesar de controversa, para a Hungria e alguns países da Europa Central, como a Eslováquia, que mantêm uma forte dependência do petróleo da Rússia. Por outro lado, a Ucrânia atribuiu à paralisação de Druzhba, desde o final de janeiro, a um ataque russo com drones que danificou as infraestruturas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já prometeu reparar o oleoduto o mais rapidamente possível, após pressão da UE que ofereceu também ajuda técnica e financeira para isso. Segundo Zelensky, as reparações estão em andamento, com estimativas de que o fluxo de petróleo possa ser restabelecido em meados de abril a maio, desde que não haja novos ataques.

 

Por outro lado, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, declarou que a decisão do governo húngaro em bloquear o empréstimo da UE não é aceitável e constitui uma violação do princípio da cooperação leal entre os Estados-membros, consagrado nos Tratados, tendo em conta ainda que Budapeste o tinha aprovado em dezembro. “O governo húngaro tem de respeitar o empréstimo já acordado pelo Conselho Europeu”, afirmou.

Costa, além disso, destacou que a reparação do oleoduto de Druzhba é uma questão diferente, separada do empréstimo e que já está avançando. Mas, o presidente do Conselho Europeu também condenou as recentes declarações de Zelensky, que ameaçou dar as coordenadas da localização de Orbán a forças ucranianas se mantiver o bloqueio. “São inaceitáveis e não ajudam ninguém: nem a Ucrânia, nem a UE, nem a Hungria”, considerou.

Já Zelensky garantiu que o bloqueio do pacote de 90 bilhões de euros da UE é crítico para a Ucrânia, uma vez que o país enfrenta uma situação muito difícil no conflito contra a Rússia.

O líder ucraniano também anunciou hoje que uma delegação de Kiev vai se encontrar no próximo sábado com os enviados da Casa Branca nos Estados Unidos para retomar o processo de negociações da guerra na Ucrânia. “Já era tempo de pôr fim à pausa nas conversações entre Kiev e Moscou, promovidas por Washington” apontou.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentou que Moscou espera que a pausa termine e que possa ser realizada mais uma rodada de negociações.

Estas negociações trilaterais passaram para segundo plano desde o início da ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

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