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GUERRA

Cerca de 35 mil pessoas estão em navios bloqueados no Golfo Pérsico

A IMO, agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pela segurança marítima, expressou profunda preocupação com o bem-estar e a segurança de passageiros de cruzeiros e de tripulantes de diferentes navios

Isabel Alvarez

Publicado: 05/03/2026 às 16:14

Navios bloqueados
/Giuseppe Cacace/AFP

Navios bloqueados (Giuseppe Cacace/AFP)

A Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês) comunicou hoje que cerca de 20 mil tripulantes e 15 mil passageiros ficaram bloqueados no Golfo Pérsico devido à guerra no Oriente Médio e à obstrução do Estreito de Ormuz.


A IMO, agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pela segurança marítima, expressou profunda preocupação com o bem-estar e a segurança de passageiros de cruzeiros e de tripulantes de diferentes navios. "Embora a perturbação no comércio global seja significativa, a principal preocupação da Organização Marítima Internacional continua a ser as implicações humanitárias e de segurança para os tripulantes a bordo de navios que operam naquela área. A IMO esta pronta para colaborar com todas as partes interessadas para contribuir para garantir a segurança e o bem-estar das pessoas afetadas", diz o comunicado do organismo.

O Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica por onde transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, permanece paralisado por causa do conflito na região.

Os Guardas da Revolução do Irã já reivindicaram o controlo do Estreito e ameaçaram queimar qualquer navio que o tente atravessar. “De acordo com as leis e resoluções internacionais em tempos de guerra, as regras de trânsito pelo Estreito de Ormuz estarão sob o controle da República Islâmica e quaisquer navios fora do protocolo serão atacados e afundados”, anunciou o brigadeiro-general Kiumars Heidari, vice-comandante da base Khatam al-Anbiya, o comando central unificado das forças armadas iranianas.

A Guarda Revolucionária Islâmica também disse que atingiu hoje o que alegou ser um navio-tanque norte-americano no norte do Golfo Pérsico, e os meios de comunicação iranianos também divulgaram vídeos que supostamente mostram o incidente.

 

Reunião do Conselho de Cooperação do Golfo e UE

Os ministros das Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e da União Europeia realizaram nesta quinta-feira (05) uma reunião extraordinária para discutir a escalada de tensões no Oriente Médio e os ataques iranianos contra os países vizinhos. “Temos instado consistentemente o Irã a conter o seu programa nuclear e o seu programa de mísseis balísticos, a abster-se de atividades desestabilizadoras na região e na Europa e a cessar a terrível violência contra o seu próprio povo. Os ministros reconhecem a importância da operação de defesa marítima da União Europeia, ASPIDES (missão militar defensiva da União Europeia para proteger navios mercantes), e da operação ATALANTA para proteger as vias navegáveis críticas e reduzir as interrupções nas cadeias de abastecimento, e incentivam a coordenação para o apoio às operações”, declararam em nota conjunta.


Os ministros sublinharam ainda a necessidade de salvaguardar o espaço aéreo e as rotas marítimas regionais, bem como a segurança energética e a segurança nuclear,
condenando veementemente os injustificáveis ataques iranianos contra os países do CCG, que ameaçam a segurança regional e global, e apelando a Teerã para que interrompa imediatamente as suas ofensivas.

A União Europeia reafirmou a sua solidariedade para com os países do Golfo e pediu a retomada do dialogo diplomático. “Preocupa-nos a liberdade de navegação marítima, sabendo que 25% do comércio mundial passa pelo Mediterrâneo. Por isso, para nós, o Estreito de Ormuz é muito importante, assim como a passagem pelo Mar Vermelho e pelo Canal do Suez”, afirmou Dubravka uica, comissária da UE para o Mediterrâneo. .

Os ministros também reiteraram o seu compromisso com a estabilidade regional e apelaram à proteção dos civis e ao pleno respeito pelo Direito Internacional, pelo Direito Internacional Humanitário e pela obrigação de respeitar os princípios da Carta das Nações Unidas.

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