Apagão deixa Kiev temporariamente sem metrô e água
Sistema de energia ucraniano foi devastado por bombardeios russos; apagão em Kiev aconteceu neste sábado (31)
Publicado: 31/01/2026 às 16:58
Apagão aconteceu neste sábado (31), em Kiev, na Ucrânia (Foto: HANDOUT / UKRAINIAN STATE EMERGENCY SERVICE / AFP)
O sistema energético ucraniano, devastado pelos bombardeios russos, sofreu neste sábado (31) uma queda que deixou Kiev temporariamente sem metrô, sem água e algumas áreas da Moldávia, um país vizinho, sem energia elétrica.
Nas últimas semanas, centenas de milhares de pessoas ficaram regularmente sem aquecimento e eletricidade, durante um rigoroso inverno, com temperaturas em torno de -15 ºC.
Isto é o que se sabe, até o momento, sobre o apagão em massa.
Cortes na Ucrânia e Moldávia
Em um comunicado, o Ministério da Energia ucraniano explicou que os cortes de emergência eram necessários para evitar que os equipamentos fossem danificados.
Ao meio-dia, foi anunciado que o fornecimento de eletricidade havia sido restabelecido para as infraestruturas essenciais em Kiev, na região da capital e em Dnipropetrovsk (centro-leste).
A eletricidade também foi restabelecida em Odessa (sul), Kharkiv (nordeste) e Zhitomyr (centro), segundo aa fonte.
Anteriormente, a operadora ucraniana Ukrenergo informou que havia imposto cortes de energia elétrica de emergência em Kiev, na região da capital, e nas áreas de Zhytomyr, Kharkiv, Cherkasy (centro) e Chernivtsi (oeste).
O ministro da Energia, Denys Shmigal, afirmou que os reatores das centrais nucleares do país foram "descarregados", de modo que a produção foi reduzida.
As instalações da antiga central nuclear de Chernobyl, que precisam de eletricidade, especialmente para o funcionamento dos sistemas de controle, sofreram uma breve falta de energia, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (OIEA).
"Não se esperam consequências diretas para a segurança nuclear, mas a situação geral continua precária", acrescentou.
O corte afetou o abastecimento de água em "todos os distritos da cidade de Kiev", segundo a empresa municipal de serviços públicos Kyivvodokanal.
Áreas da Moldávia, um país situado a oeste da fronteira ucraniana, ficaram sem eletricidade durante várias horas.
Esta "falha parcial" foi resolvida no meio da tarde, anunciaram as autoridades da Moldávia.
Uma "falha técnica"
Segundo Kiev, estes cortes em massa se devem a uma "falha técnina" nas linhas elétricas que conectam Moldávia, Romênia e Ucrânia.
O ministro da Energia da Moldávia, Dorin Junghietu, confirmou a informação.
A Moldávia produz a sua própria energia, mas também a importa, principalmente da Romênia e Ucrânia.
Kiev ainda não especificou as possíveis causas da falha, mas, por enquanto, não a vinculou diretamente aos constantes bombardeios russos na guerra iniciada há quase quatro anos, após a Rússia invadir seu território.
O Kremlin anunciou na sexta-feira (30) que o presidente russo, Vladimir Putin, aceitou suspender os ataques a Kiev por uma semana, até domingo, a pedido de seu homólogo americano, Donald Trump.
Maxime, um morador de Kiev, de 23 anos, não acredita que a trégua vá durar. "Duvido, realmente duvido", disse à AFP.
Fechamento do metrô
Devido à escassez de eletricidade, as autoridades anunciaram o fechamento temporário e completo do metrô de Kiev, algo inédito desde a invasão russa, em 2022.
A rede de metrô, uma parte vital do transporte, e suas 52 estações servirão de refúgio até que a energia elétrica seja restabelecida, disse o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, em uma mensagem no Telegram.
No início da tarde, a Câmara Municipal informou que o tráfego havia sido retomado normalmente nas três linhas.
Os serviços de emergência da capital afirmaram ter retirado, junto com a polícia, 481 passageiros que ficaram presos em trens que pararam durante o corte.
Em Kharkiv, a operadora do metrô também anunciou, no início da manhã, uma interrupção temporária da rede por "motivos técnicos", antes de anunciar a retomada parcial do serviço nas linhas.
Irina Viktorivna acredita que os cortes de energia não vão dobrar o povo. "Eles (os russos) tentam nos intimidar, mas não cederemos, não temos medo. É difícil para nós, mas permaneceremos fortes. Glória à Ucrânia", declarou à AFP no metrô de Kiev.