Trump enviou 'czar da fronteira' a Minneapolis e alguns agentes do ICE começarão a deixar a cidade
Muitos republicanos pressionaram Trump sobre as ações do ICE e a escalada das tensões e violência que resultaram em duas mortes de americano
Publicado: 27/01/2026 às 18:37
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante entrevista coletiva ( SAUL LOEB / AFP)
Nesta terça-feira (27), o presidente dos Estados Unidos, Donald Tump, desceu o tom sobre as operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE na sigla em inglês) em Minneapolis. Além disso, disse que Tom Homan, conhecido como o 'czar da fronteira', esta na cidade e já se reuniu com o governador de Minnesota, Tim Walz. Segundo o presidente, o enviado irá informá-lo pessoalmente sobre toda a situação.
“Homan foi apresentado às prioridades do estado, incluindo investigações imparciais sobre os dois tiroteios e um pedido de redução da força de três mil agentes federais na cidade”, avançou Walz, acrescentando que ambos concordaram em trabalhar juntos para alcançar esses objetivos.
Antes o comando do ICE estava a cargo de Gregory Bovino na chamada Operação Metro Surge na cidade e que ordenou a repressão de forma violenta às manifestações dos populares. Isso gerou revolta e indignação nos habitantes e autoridades locais devido a truculência dos agentes federais, sobretudo após mais uma morte de um cidadão norte-americano, o enfermeiro Ale Pretti, de 37 anos. Bovino foi afastado do comando pela administração Trump e saiu da cidade.
Também muitos republicanos pressionaram Trump sobre as ações do ICE e a escalada das tensões e violência que resultaram em duas mortes de americanos, preocupados ainda com a judicialização política dos casos num ano de eleições legislativas. Assim como a oposição democrata exige o término imediato de agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira na cidade, ameaçando até mesmo bloquear no Senado votações orçamentárias iminentes.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, revelou que conversou com o presidente, que concordou que a situação atual não podia continuar e que alguns agentes federais iriam deixar a cidade. Enquanto isso decorre as investigações sobre a morte a tiros de Pretti, ativista que filmava uma operação policial. "Continuarei pressionando para que o restante dos envolvidos nessa operação vá embora", apontou.
Frey afirmou que disse a Trump o quanto Minneapolis se beneficiou das comunidades de imigrantes e que o seu principal pedido foi o fim da Operação Metro Surge. O prefeito também se reunirá na quarta-feira (28) com Tom Homan e adiantou que a retirada dos agentes deve começar a partir de hoje mesmo.
Minneapolis é considerada uma cidade-santuário, isto é, não coopera com as autoridades federais na repressão e perseguição à imigração irregular.
Já a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, chegou a acusar Alex Pretti de "terrorista", uma vez que portava uma arma apesar dele ter licença. Noem usou o mesmo rótulo para classificar a outra ativista morta a tiros em 7 de janeiro, Renée Good, mãe de 37 anos, dentro de seu carro. A população repudiou suas declarações, o que desencadeou o começo do recuo de Washington.
A morte de Pretti provocou comoção em Minneapolis e repercutiu negativamente em várias esferas de todo o país. Ele registrava uma operação do ICE e morreu durante a detenção. Vídeos do incidente evidenciam que o enfermeiro não sacou a arma e tinha apenas um celular na mão. No entanto, um agente do ICE retirou a pistola da cintura de Pretti, quando ele estava dominado no chão, e logo a seguir outro agente atirou em suas costas.
Trump, por outro lado, condenou o fato da vítima estar armada no protesto. "Não concordo, mas dito isso, você não pode portar armas, não pode andar por aí com armas, você não pode fazer isso, mas é um incidente muito lamentável", justificou.
Juiz exigiu que chefe do ICE compareça a tribunal
O juiz federal-chefe de Minnesota declarou que o governo de Donald Trump não cumpriu ordens para realizar audiências de imigrantes detidos e ordenou que o chefe do ICE compareça ao tribunal na próxima seta-feira para prestar esclarecimentos por que não deve ser responsabilizado por desrespeito à Justiça.