Trump ameaça Canadá com tarifas de 100% caso faça acordo comercial com a China
O presidente americano alertou para 'sérias consequências' caso esse acordo se concretize
Publicado: 24/01/2026 às 12:46
Presidente dos EUA, Donald Trump (MANDEL NGAN / AFP)
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou neste sábado (24) impor "tarifas de 100%" sobre as importações canadenses para os Estados Unidos caso um acordo comercial entre Canadá e China seja finalizado, após um pacto preliminar anunciado na semana passada entre Ottawa e Pequim.
As relações entre os Estados Unidos e seu vizinho do norte têm sido turbulentas desde que Trump retornou à Casa Branca há um ano, marcadas por disputas comerciais e pela intenção declarada do presidente de anexar o Canadá como "o 51º estado" dos Estados Unidos.
Durante uma visita a Pequim na semana passada, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, celebrou uma "nova parceria estratégica" com a China, que resultou em um "acordo comercial preliminar, mas histórico" para reduzir as tarifas.
Neste sábado, Trump alertou para sérias consequências caso esse acordo se concretize.
Se Carney "pensa que vai transformar o Canadá em um 'porto de descarga' para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
"Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos", alertou.
Os dois líderes afiaram suas armas retóricas nos últimos dias, começando com o discurso de Carney na terça-feira no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde ele recebeu uma ovação de pé por sua avaliação franca de um "colapso" na ordem global liderada pelos EUA.
Seu comentário foi visto como uma referência à influência disruptiva de Trump nos assuntos internacionais, embora Carney não tenha mencionado o presidente americano.
Trump respondeu a Carney um dia depois, em seu próprio discurso em Davos. Ele então retirou o convite feito ao primeiro-ministro canadense para se juntar ao seu "Conselho da Paz", o órgão através do qual o americano busca resolver conflitos globais.