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DISCURSO

Trump exige em Davos 'negociações imediatas' sobre a compra da Groenlândia pelos EUA

"São os Estados Unidos, e somente os Estados Unidos, que podem proteger essa enorme massa de terra, esse enorme pedaço de gelo, desenvolvê-lo e aprimorá-lo", disse Trump no Fórum Econômico Mundial

AFP

Publicado: 21/01/2026 às 13:11

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP)

O presidente americano, Donald Trump, fez, nesta quarta-feira (21), em Davos, “negociações imediatas” para comprar a Groenlândia e garantiu que não vai usar a força para tomar este território independente da Dinamarca, aliada da Otan.

“Só os Estados Unidos podem proteger esta terra gigante, este pedaço gigante de gelo, desenvolvê-lo, melhorá-lo”, afirmou o republicano no Fórum Econômico Mundial, uma reunião anual da elite política e econômica global.

“Por isso, quero negociações imediatas para voltar a discutir a aquisição da Groenlândia”, assegurou, apesar de a Dinamarca ter reiterado que o território não está à venda. Trump prometeu “não usar a força” para tomar a ilha do Ártico.

O presidente americano também se referiu à Venezuela e disse que seus dirigentes se mostraram "muito, muito preparados" para negociar com Washington após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro, acusado de narcotráfico e que será julgado em Nova York.

“Os líderes do país têm sido muito bons (...), muito, muito preparados”, afirmou. “A Venezuela vai ganhar mais dinheiro [com o petróleo] nos próximos seis meses do que o que fez nos últimos 20 anos”, acrescentou o republicano.

Os líderes europeus reunidos na Suíça uniram-se contra a postura agressiva do republicano. O presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu, na terça-feira, fazer frente aos “valentões” e a UE prometeu dar uma resposta “firme”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou, nesta quarta, que o continente deve romper com a sua "prudência tradicional" num mundo dominado pela "força brutal".

Adotando um tom mais conciliador, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que não poupou elogios a Trump, recomendou uma "diplomacia ponderada" como "a única forma de lidar" com "as pesadas" sobre o futuro da Groenlândia.

Um executivo da gigante da tecnologia Meta avaliou, por sua vez, que seria "autodestrutivo" a União Europeia atingir as 'big techs' americanas em represália à ameaça de Washington de importar tarifas para países que se opuserem a uma anexação da Groenlândia.

"Subordinado a Europa"

Trump insiste que a Groenlândia, uma ilha rica em recursos minerais, é “vital” para a segurança dos Estados Unidos e de Otan frente à China e à Rússia, à medida que o Ártico derreta e as superpotências competem por uma vantagem estratégica nesta região.

O presidente americano aumentou a pressão, ao ameaçar com novas tarifas de até 25% oito países europeus para apoiarem a Dinamarca, entre eles Reino Unido, França e Alemanha.

Por outro lado, Trump relativizou as ameaças europeias de ativar seu mecanismo anticoercitivo conhecido como “bazuca comercial” contra os Estados Unidos.

“Qualquer coisa que fazer conosco (...), tudo o que preciso fazer é responder e isso se voltará contra eles”, disse, em entrevista ao News Nation.

Usando óculos escuros por causa de uma lesão nos olhos, Macron anunciou, na terça-feira, em Davos, contra a tentativa dos Estados Unidos de "subordinar a Europa" e qualificou a ameaça de novas tarifas como "inaceitável".

Nesta quarta-feira, a França pediu, ainda, “um exercício da Otan” na Groenlândia e disse que “está disposto a contribuir com ele”, informou a Presidência.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, por sua vez, foi ovacionado, ao anunciar no fórum suíço que "o Canadá apoia firmemente a Groenlândia e a Dinamarca".

Ottawa tem buscado diminuir sua dependência de Washington desde que Trump pediu que se tornasse “o 51º estado” dos Estados Unidos.

"O fim da Otan" 

Na terça-feira, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, anunciou seus 57.000 habitantes que embora seja pouco provável, não se pode descartar o uso da força militar americana na ilha.

O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, disse à AFP em Davos que qualquer movimento dos Estados Unidos contra um aliado “significaria o fim da Otan”.

Em meio às dificuldades com a Europa, espera-se que Trump anuncie, na quinta-feira, seu “Conselho de Paz”, um organismo para resolver conflitos internacionais com associação permanente paga no valor de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões, na cotação atual).

O organismo foi concebido originalmente para supervisão da cobertura da Faixa de Gaza, mas o esboço do seu estatuto, consultado pela AFP, não menciona o território palestino e se apresenta como um mecanismo global, ambientalmente concorrente da ONU.

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