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Ataque de Moscou deixa parte de Kiev sem luz, água e aquecimento

A ofensiva também atingiu outras regiões, entre elas, Vinnytsia, Dnipro, Odessa, Zaporizhzhia, Poltava e Sumy

Isabel Alvarez

Publicado: 20/01/2026 às 18:11

Carros danificados no local onde destroços de drones russos caíram durante um ataque aéreo em grande escala em Kiev/AFP

Carros danificados no local onde destroços de drones russos caíram durante um ataque aéreo em grande escala em Kiev (AFP)

As forças russas realizaram um novo ataque massivo contra infraestruturas energéticas na Ucrânia, que deixou quase metade de Kiev novamente sem eletricidade, água e aquecimento. A cidade enfrenta temperaturas em torno de 14° graus negativos.

A ofensiva também atingiu outras regiões, entre elas, Vinnytsia, Dnipro, Odessa, Zaporizhzhia, Poltava e Sumy. As escolas permanecerão fechadas até fevereiro e a iluminação pública foi reduzida em uma tentativa de conservar energia.

“O ataque russo envolveu um número significativo de mísseis balísticos e de cruzeiro, além de mais de 300 drones. Só em Kiev, a partir desta noite, mais de um milhão de famílias continuam sem eletricidade. E um número expressivo de edifícios não tem aquecimento, afetando mais de cinco mil prédios residenciais. É importante que o mundo não fique em silêncio perante isto", avisou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Segundo as autoridades locais, até o momento foi registrada a morte de uma pessoa na região metropolitana de Kiev. Este é o terceiro grande bombardeio da Rússia contra infraestruturas energéticas na capital do país, que já causou muitos danos a cidade e ao território do país, com cortes de energia e calefação durante quase três dias, bem no início da intensa onda de frio.

Zelensky, que participaria do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, nesta terça-feira (20), explicou que ficou na capital para ajudar com as consequências da grande ofensiva aérea de Moscou. Mas, destacou que irá a Davos se os documentos sobre as garantias de segurança com os Estados Unidos e o plano de prosperidade estivessem prontos para serem assinados.

O presidente ucraniano admitiu estar preocupado à medida que o foco e a condenação dos líderes europeus estão mais voltados às ameaças do presidente dos Estados Unidos em assumir o controle da Groenlândia. O líder da Ucrânia reiterou os apelos a sanções mais duras contra a Rússia, ao reforço das defesas aéreas e a garantias de segurança por parte de Washington. “Até agora, os EUA não tiveram força para travar Putin. Os Estados Unidos podem fazer mais? Sim, podem. E nós queremos mesmo isso. E acreditamos que os americanos são capazes de fazê-lo. Estamos lutando pela nossa independência, pela nossa liberdade, pela nossa própria existência. Nesta luta, precisamos de toda a ajuda que pudermos obter", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, também pediu apoio urgente ao país. “O último ataque bárbaro de Moscou foi uma chamada de atenção para os líderes mundiais reunidos em Davos. Precisamos de assistência energética adicional urgente, defesa aérea e interceptores, assim como pressão de sanções contra a Rússia", enfatizou.

Em seu discurso em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, criticou o governo de Moscou por continuar a atacar a Ucrânia. “A Rússia não mostra sinais de abrandamento, remorsos e procura de paz. Pelo contrário, intensifica os seus ataques, matando civis todos os dias. Isto tem de acabar. Todos queremos paz para a Ucrânia e reconhecemos o papel de Donald Trump em fazer avançar o processo de paz. A Europa “estará sempre ao lado da Ucrânia até que haja uma paz justa e duradoura”, declarou.

Por outro lado, o Kremlin anunciou que o enviado do presidente Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, poderá atualizar as informações de Moscou aos enviados dos EUA sobre o processo de paz na Ucrânia durante as reuniões de Davos. O porta-voz da presidência, Dmitry Peskov, indicou que a Rússia apreciava receber informações sobre as discussões em curso sobre a Ucrânia entre representantes dos EUA, da Europa e de Kiev.

 

AIEA alerta sobre corte de energia em Chernobyl

A Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA) comunicou que a central nuclear ucraniana de Chernobyl, local da maior catástrofe nuclear civil do mundo, perdeu toda a energia externa após ataques russos ao território ucraniano. A AIEA apontou que várias subestações elétricas ucranianas vitais para a segurança nuclear foram danificadas pela operação militar, enquanto as linhas de energia para algumas outras centrais nucleares também foram atingidas. A agência de vigilância da ONU informou que apesar dos reatores estarem desativados, a eletricidade é essencial para ativar sistemas de resfriamento caso o combustível nuclear que resta superaquecer.

“A AIEA está acompanhando ativamente os desdobramentos para avaliar o impacto na segurança nuclear”, disse Rafael Grossi, diretor da AIEA.

A Agência já advertiu que o escudo protetor que foi construído em Chernobyl não consegue mais conter o material radioativo devido aos danos que foram provocados por uma ofensiva de drones em fevereiro de 2025. Na ocasião, houve perfuração da estrutura externa que ajuda a impedir vazamentos de radiação do reator número quatro. De acordo com Grossi, ainda que tenham sido feito reparos, é necessário uma restauração completa no local para evitar maiores danos e garantir a segurança nuclear a longo prazo.

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