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Alerta de "bomba comercial’

Líderes europeus preparam resposta a Trump após ameaças tarifárias com mecanismos de dissuasão da UE

A arma do bloco, que nunca foi aplicada antes, é apelidada de "bomba comercial", que permite restringir importações de bens e serviços limitando as licenças comerciais e fechando o acesso ao mercado único

Isabel Alvarez

Publicado: 19/01/2026 às 18:50

Donald Trump, presidente dos EUA/ ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Donald Trump, presidente dos EUA ( ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP)

Após o aviso do presidente dos Estados Unidos de impor novas tarifas a países do bloco europeu, o presidente da França, Emmanuel Macron, já sugeriu à União Europeia (UE) que ative o Instrumento Anticoerção. A ferramenta permite limitar importações, restringir o acesso a mercados públicos e bloquear determinados investimentos. As medidas possíveis incluem a proibição de empresas norte-americanas de concorrerem em licitações públicas no bloco ou o fechamento do mercado europeu a certas companhias dos EUA. A arma do bloco, que nunca foi aplicada antes, é apelidada de “bomba comercial”, que permite restringir importações de bens e serviços limitando as licenças comerciais e fechando o acesso ao mercado único.


Macron convocou para hoje mesmo uma reunião do Conselho de Defesa e Segurança Nacional para discutir a situação internacional, particularmente da Groenlândia.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que irá impor uma tarifa de 10% a partir do próximo mês à Dinamarca, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Noruega, Suécia e Finlândia, em retaliação por se oporem ao controle americano da Groenlândia. Os oito países também enviaram recentemente militares para um exercício na ilha autônoma dinamarquesa. Copenhagen inclusive assegurou que os EUA foram convidados, sendo um membro da OTAN, e que a operação visa reforçar a presença da aliança no Ártico benefício da segurança europeia e transatlântica. Entretanto, o presidente norte-americano insiste que a ilha do Ártico é vital para a segurança do seu país e que há riscos iminentes dela vir a ser controlada pela Rússia ou pela China.

Nesta segunda-feira (19), o vice-chanceler da Alemanha e ministro da Economia, Lars Klingbeil, admitiu que a UE deve estar pronta para utilizar todo o seu arsenal de medidas de retaliação que forem necessárias para fazer frente às ameaças de Trump.

Klingbeil anunciou que os governos europeus preparam as contramedidas em resposta à ameaça do presidente dos Estados Unidos de aplicar sobretaxas aos países que rejeitam o seu plano de adquirir a Groenlândia. Na coletiva de imprensa, Klingbeil juntamente com o ministro da Economia da França, Roland Lescure, disse que a Europa não cederá a chantagens e dará uma resposta clara e unânime através de medidas unidas e combinadas. Entre as opções estão o congelamento do acordo aduaneiro entre os EUA e a União Europeia (UE), que está avaliado no valor de 93 bilhões de euros ((107,71 mil milhões de dólares) ou a entrada em vigor de taxas sobre produtos norte-americanos importados.

Para Klingbeil, as ameaças de Trump à soberania da Groenlândia e da Dinamarca ultrapassaram um limite e exigem uma reação forte da UE. O ministro alemão avaliou que a situação é séria, mas suavizou sua fala indicando que isso não marca o fim da relação transatlântica. “Há sinalizações encorajadoras de democratas e republicanos que discordam das posições de Trump”, avançou.

Já Lescure manifestou esperar que os mecanismos de dissuasão funcionem, que a situação não se agrave e que se reduza a pressão. No entanto, apesar de considerar que as tensões precisem desescalar, defendeu também que o bloco deve afirmar o seu poder. “Existe a possibilidade de serem tomadas decisões prejudiciais para todas as partes”, reconheceu.

O ministro francês ainda adiantou uma próxima reunião ministerial do G7, o grupo das sete maiores economias mundiais, para discutir a crise sobre a Groenlândia. Além disso, esta prevista para a próxima quinta-feira, uma reunião extraordinária dos líderes da UE no Conselho Europeu para coordenar sua resolução sobre as ameaças tarifárias de Trump.

Também o comissário europeu Stéphane Séjourné garantiu que a UE dispõe de ferramentas poderosas para dissuadir Trump de impor novas taxas tarifárias aos países contrários à anexação da Groenlândia pelos EUA. “A chantagem deve parar e Trump cometeu um erro grave ao testar os europeus nos princípios fundamentais da autodeterminação dos povos e da soberania territorial. A Groenlândia nunca será norte-americana”, declarou, defendendo que se a Europa não se afirmar, não haverá limites para o desejo de poder e de anexação da ilha do Ártico. Séjourné enfatizou que, se Washington se encontra na fase da ameaça, a UE deve estar no mesmo nível.

Em contrapartida as declarações mais contundentes dos dirigentes europeus, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recusou entrar numa guerra comercial com os Estados Unidos, preferindo apaziguar os ânimos e promover um debate calmo entre aliados. "Uma guerra comercial não é do interesse de ninguém e a minha função é sempre agir no interesse nacional do Reino Unido", justificou Starmer, entretanto acredita que o futuro da Groenlândia deve ser decidido pelos seus habitantes e pelo governo da Dinamarca.

Enquanto isso, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, avisou que qualquer retaliação tarifária por parte da União Europeia seria muito imprudente.

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