Vários países da OTAN emitem comunicado em defesa da Groenlândia
O comunicado acontece depois da recente elevação nas falas polêmicas de Washington em relação à Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, que causou alarme no governo de Copenhagen
Publicado: 06/01/2026 às 14:50
Conferência virtual entre líderes europeus, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e os presidentes dos EUA, Ucrânia, Comissão Europeia e do Conselho Europeu sobre as negociações de um acordo de paz (Reprodução/OTAN)
Nesta terça-feira (06), diversos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) emitiram um comunicado conjunto em defesa da segurança no Ártico como uma prioridade-chave para a Europa e instaram ainda os Estados Unidos a defenderem os princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo soberania, integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras.
O comunicado acontece depois da recente elevação nas falas polêmicas de Washington em relação à Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, que causou alarme no governo de Copenhagen.
A Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Espanha, Portugal e Polônia, lembram na nota oficial que a aliança atlântica deixou claro que a região do Ártico é uma prioridade e que os aliados europeus estão intensificando seus esforços através do aumento da presença, atividades e investimento na região. A União Europeia, além disso, manifestou ser solidária com a Dinamarca e a Groenlândia e tem rejeitado as ameaças do presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
Após a captura do presidente da Venezuela Nicolás Maduro, o líder norte- americano reafirmou no último domingo que a Groenlândia é essencial para os EUA e para a sua segurança nacional. Trump adiantou que abordará a questão da ilha daqui uns 20 dias.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou ontem que um ataque por parte dos EUA a região autônoma dinamarquesa seria o fim de tudo, incluindo da OTAN, tendo como consequência a segurança estabelecida desde o final da Segunda Guerra Mundial. A Comissão Parlamentar de Política Externa do Parlamento dinamarquês decidiu se reunir de emergência hoje à noite, com a presença dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa para tratar o assunto.
Também o governante da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, já condenou as ameaças da Casa Branca e disse que adotará agora uma postura mais firme. Entretanto, Nielsen salientou que se deve restabelecer a boa colaboração que tinham. "A situação não é de que os Estados Unidos possam conquistar a Groenlândia. Não é esse o caso. Por isso, não devemos entrar em pânico. Devemos restabelecer a boa cooperação que tínhamos. Adotaremos agora uma postura mais firme, porque não estamos satisfeitos com a situação em que nos encontramos. Basta que a comunicação seja feita pela mídia e por diversos meios indiretos", acrescentou.
Na segunda-feira, o vice-chefe de gabinete de Trump, Stephen Miller, ainda declarou que a Groenlândia deve ser parte dos Estados Unidos, assumindo ser esta a posição formal do seu país. Miller não admitiu a hipótese de uma intervenção militar na Groenlândia como a realizada na Venezuela no sábado, mas questionou a base de reclamação territorial da Dinamarca sobre a ilha.