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Oriente Médio: Militar brasileiro morre no sul da Faixa de Gaza

O major-general Ariel Lubliner Bessa, 34 anos, teria sido atingido por disparo acidental de arma do colega no front. Ministro da Defesa de Israel lamenta morte. Irmã fala ao Correio e conta que ele viria de férias ao Brasil na sexta-feira

Rodrigo Craveiro - Correio Braziliense

Publicado: 31/08/2025 às 08:49

O paulista vivia em Israel desde os 19 anos e foi convocado em 7 de outubro de 2023 /(crédito: Instagram)

O paulista vivia em Israel desde os 19 anos e foi convocado em 7 de outubro de 2023 ((crédito: Instagram))

Depois de dois meses de combates na Faixa de Gaza, o major-general brasileiro Ariel Lubliner Bessa, 34 anos, terminaria neste domingo (31/8) mais uma das missões na reserva, antes de viajar de férias para o Brasil com a mulher, a espanhola Barbara, e o filho, Lior, de apenas 9 meses. Mas os planos da família foram tragicamente interrompidos em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. Ariel foi morto em um provável incidente de "fogo amigo", depois que a arma de um colega de farda teria disparado acidentalmente, na tarde de sexta-feira (29/8). O incidente está sob investigação das Forças de Defesa de Israel (IDF).

Israel Katz, ministro da Defesa israelense, utilizou a rede social X para homenagear o brasileiro. "Em nome de todo o setor de defesa, envio minhas profundas condolências à família do falecido major-general (da reserva) Ariel Lubliner, um soldado do Grupo Logístico 6036, que morreu no sul da Faixa de Gaza", escreveu. "Ariel, que imigrou para Israel por amor ao país, foi convocado para a reserva em 7 de outubro de 2023 e, desde então, trabalhou de forma devotada para defender o Estado de Israel", acrescentou, sem fazer menção ao fato de que Ariel nasceu no Brasil. "Gostaria de abraçar sua família neste momento difícil. Que sua memória seja abençoada", concluiu.

Porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), Rafael Rozenszajn disse ao Correio que "a dor da perda é imensa" e declinou um pedido de entrevista. "Em respeito à família não há o que ser dito nesse momento", comentou. A terapeuta ocupacional Priscila Lubliner Bessa, 36, irmã de Ariel, contou ao Correio que a família ainda está "anestesiada" após receber a notícia da morte. "A gente sabe que isso acontece, mas nunca imagina que acontecerá com a gente. Está muito complicado e difícil de processar e conversar sobre isso. O Ariel sempre foi uma pessoa muito especial, ele é especial. Não consigo falar no passado, porque, para mim, ele sempre esteve presente na nossa vida. Mesmo morando em Israel, a gente sempre conversou muito", disse, emocionada.

Segundo Priscila, Ariel nasceu em Santo André (SP), onde viveu até os 19 anos, quando mudou-se para Israel. "Ele fez o Exército por um ano e meio. Para ele, era muito importante defender Israel. Sempre estudamos em escola judaica e éramos ligados ao judaísmo, ao sionismo e a Israel. Para ele, fez muito sentido estar lá neste momento", comentou.

Ainda segundo Priscila, o irmão era uma pessoa muito íntegra e de muitos amigos. "Foi aniversário dele em 23 de agosto, ele estava bem feliz. Casou-se havia sete anos e seguia a vida dele. Ariel foi convocado para as IDF em 7 de outubro de 2003 e comentava um pouco com a gente o que fazia e como a guerra impactava a saúde mental dele. Na sexta-feira, ele viria ao Brasil para conhecermos o Lior, que nasceu em Israel. Não temos muitas informações sobre o que aconteceu exatamente. Fomos pegos de surpresa. Acredito que deve ter sido 'fogo amigo', mas estão investigando as circunstâncias do incidente. É uma situação muito complicada." O corpo de Ariel será sepultado em Kiriat Biliak (norte), onde morava com a família. Os pais do brasileiro, que também tinha cidadania israelense, embarcaram ontem para Israel.

Ao finalizar um curso de MBA em relações internacionais, Ariel trabalhava na área. "O que mais me dói é saber que o filho dele vai crescer sem a presença física do pai. Ele estava sendo um ótimo pai, marido e irmão. É muito difícil. A ficha está caindo aos poucos. Ariel era engraçado e feliz. É horrível isso. A guerra não é boa para ninguém, temos que lutar pela paz e pensar que os dois Estados têm que coexistir de alguma forma. A guerra só traz desgraça e tristeza", desabafou Priscila.

As informações são do Correio Braziliense.

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