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NOVOS CORTES

Trump quer novos cortes de quase 5 bilhões de dólares em ajuda humanitária

Segundo publicou o jornal New York Post, a grande maioria dos cortes, cerca de 3,2 bilhões de dólares, seria nos fundos atribuídos à USAID

Isabel Alvarez

Publicado: 29/08/2025 às 16:54

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump /Foto: Saul Loab/AFP

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: Saul Loab/AFP)

A Casa Branca informou que o presidente norte-americano, Donald Trump, pediu ao Congresso para aprovar um corte equivalente a quase 5 bilhões de dólares em ajuda humanitária internacional.


Os novos possíveis cortes em ajuda humanitária já haviam sido antecipados pelos membros do Partido Democrata, que tinham avisado que qualquer iniciativa de alterar os fundos que foram aprovados pelo Congresso destruiria a possibilidade de negociar com os congressistas democratas para evitar a paralisação orçamental do Governo Federal, o famoso shutdown, após o dia 30 de setembro.

Esta paralisação acontece quando o orçamento não é aprovado, levando ao fechamento de várias agências governamentais, que ficam impedidas de usar dinheiro sem a aprovação do Congresso.

“Os novos cortes em ajuda humanitária afetam os programas do Departamento de Estado, assim como a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), e os programas de assistência internacional", diz a carta enviada ao presidente republicano da Câmara dos Representantes e compartilhada pelo gabinete orçamental da Casa Branca. “O presidente Trump colocará sempre a América em primeiro lugar", afirmou o gabinete.

Segundo publicou o jornal New York Post, a grande maioria dos cortes, cerca de 3,2 bilhões de dólares, seria nos fundos atribuídos à USAID. Trump já havia congelado recentemente bilhões de dólares destinados à ajuda internacional desde o seu regresso à Casa Branca e desmantelou formalmente a USAID, que foi agora incorporada pelo Departamento de Estado, responsável pela diplomacia norte-americana.

A USAID, a maior agência humanitária do mundo, estava envolvida em programas de saúde e de ajuda de emergência para aproximadamente 120 países. Em julho, um estudo internacional revelou que o corte do financiamento pode causar mais de 14 milhões de mortes adicionais até 2030 entre os mais vulneráveis, um terço das quais seriam crianças.


Crise nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças

A Casa Branca também anunciou a escolha de um adjunto do Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. para chefiar interinamente os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. A decisão ocorre num momento em que o impasse sobre a demissão da diretora Susan Monarez se aprofunda, com os seus advogados afirmarem que esta não deixará o cargo a menos que o próprio Trump a destitua. Monarez, especialista em doenças infecciosas tinha sido confirmada como responsável do CDC há apenas um mês, mas foi demitida na última quarta-feira, num comunicado do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), que não justificou a exoneração.

No entanto, a diretora se recusou ser demitida. Os advogados argumentam que, apesar da Casa Branca alegar que ela não está alinhada com a agenda do presidente, só o próprio pode despedi-la. "Como nomeada presidencial, funcionária confirmada pelo Senado, só o próprio presidente pode despedi-la. Por este motivo, rejeitamos a notificação que Susan Monarez recebeu por ser legalmente deficiente e ela mantém-se como Diretora do CDC. Notificamos o Conselho da Casa Branca sobre a nossa posição", assegurou Mark Zaid, advogado de Monarez.

Por outro lado, uma fonte governamental confirmou ao jornal britânico The Guardian que Jim O'Neill, atualmente secretário adjunto do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), foi escalado para liderar temporariamente a agência de saúde pública, dando a Kennedy um aliado nos seus esforços para reformular a política de vacinas do país. Ao contrário de Monarez, Jim O'Neill, um ex-executivo de investimentos, não tem formação médica, científica nem qualquer experiência em saúde pública.

De acordo com o jornal New York Times, Monarez e Kennedy entraram em conflito sobre a política de vacinas, enquanto os líderes do CDC estavam irritados com a forma como o governo lidou com uma situação fatal no início deste mês, quando um atirador disparou contra a sede da agência em Atlanta, matando um policial. A demissão de Monarez gerou ainda mais crises no CDC, uma vez que quatro dos seus outros responsáveis se demitiram devido ao que classificam como uma interferência política no seu trabalho, cortes orçamentais e disseminação de desinformação durante a administração Trump.

O CDC é supervisionado, em última instância, por Kennedy, que é conhecido por fundar um grupo anti-vacinas e já cortou as verbas de investigação médica, removeu consultores científicos e restringiu o uso de vacinas contra a Covid aos americanos.

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