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Com vaga no G6 improvável, Barletta desabafa, pede desculpas e critica planejamento do Sport

Após derrota para o Operário, atacante faz cobrança pública sobre mudanças no comando técnico durante a Série B

Por Gabriel Farias

Barletta, atacante do Sport

A derrota por 3 a 2 para o Operário-PR, nesta sexta-feira (6), praticamente encerrou as chances de classificação do Sport aos playoffs da Série B. Após a partida, o atacante Chrystian Barletta fez um forte desabafo na saída de campo, em entrevista à Sportynet. Além de pedir desculpas à torcida pelo desempenho ao longo da temporada, o jogador cobrou mudanças no planejamento do clube e criticou a instabilidade no comando técnico durante a Segundona.

Barletta reconheceu a dificuldade de o Sport alcançar o G6 na última rodada, já que o time depende de uma combinação de resultados. Destaque da equipe na temporada, o atacante também assumiu parte da responsabilidade pelo desempenho apresentado em campo e afirmou que ficou devendo em diferentes momentos da competição.

“Cara, é até difícil com a outra palavra, sentimento de tristeza, a gente foi postergando a chance até o final, a gente teve chance até a penúltima rodada, a gente sabe que torcer agora para todos os resultados favorecerem a gente é muito difícil, mas eu tenho que pedir desculpa para o torcedor, eu fiquei devendo muito em vários jogos, principalmente nesse”, declarou.

Em seguida, Barletta explicou que já desejava falar sobre alguns problemas internos desde a metade do ano. Segundo ele, a intenção não era expor pessoas, mas chamar atenção para questões que considera importantes para o futuro rubro-negro.

“Eu sei da minha responsabilidade dentro do clube, pelo tempo da casa, e é isso, pedir desculpa para o torcedor. Eu sei que nada que eu fale aqui vai confortar, eu também estou com o sentimento que agora nada que alguém fale para mim vai me confortar, mas eu tenho algumas coisas que eu queria falar desde a metade do ano”, afirmou.

Cobrança por projeto e sequência no Sport

A principal crítica do atacante foi direcionada à falta de continuidade no planejamento do futebol. Para Barletta, um clube do tamanho do Sport precisa estabelecer um projeto com convicção e dar sequência ao trabalho, mesmo diante de resultados negativos.

O jogador também destacou que a necessidade de planejamento deve permanecer independentemente de quem estiver à frente da instituição após as eleições previstas para dezembro.

“Eu acho que um time como o Sport, ele tem que começar a ver algumas coisas durante o ano, a se programar melhor. Como eu falei, a gente foi privilegiado de até a penúltima rodada estar lutando, foi um ano muito difícil, a gente sabe que o ano passado foi um ano que o clube virou de ano quebrado, mas eu acho que está na hora do Sport, mesmo que troque de diretoria, enfim, não sei se vai trocar de treinador, trocar de diretoria, eu acho que está na hora do Sport, a diretoria que vier, a diretoria que ficar, enfim, fazer um projeto bom e ter uma sequência de projetos”, disse.

O desabafo também teve como alvo a sequência de mudanças no comando técnico ao longo da temporada. O Sport começou a Série B com Roger Silva, passou por Márcio Goiano e Gilmar Dal Pozzo até chegar ao argentino Mariano Soso. Para Barletta, a troca constante de treinadores interfere diretamente na identidade da equipe e dificulta a consolidação de um modelo de jogo.

“Porque eu não sei de um time que está brigando para ficar no G6 que trocou quatro vezes de treinador no ano. Isso não é desculpa, mas eu acho que se for para dar errado com quatro treinadores, eu prefiro dar errado com um treinador só, porque eu acho que essa mudança de tática durante o ano, eu acho que atrapalha muito, não só nós jogadores, mas assim também os funcionários”, declarou.

Na avaliação do atacante, a escolha do treinador precisa estar alinhada às contratações e às características do elenco. Barletta defendeu que o clube defina uma ideia de jogo e monte o grupo de atletas de acordo com a convicção da comissão técnica, evitando mudanças sucessivas ao longo da competição.

“Eu acho que o time como Sport, um time grande desse, se vier um projeto, fazer um projeto sério e com convicção, não ficar trocando, dependendo de, é óbvio que o futebol é resultado hoje em dia, mas que contrate o treinador e contrate as peças de acordo com a convicção do treinador, estilo de jogo do treinador, não fique trocando durante o ano”, completou.

Sport chega à última rodada dependendo de combinação

Com a derrota para o Operário, o Sport permaneceu com 55 pontos e viu o acesso ficar ainda mais distante. Na última rodada, o Leão enfrenta o Goiás, na Ilha do Retiro, e precisa vencer, além de torcer por tropeços dos concorrentes diretos. A equipe também depende que o CRB não triunfe no confronto diante do Náutico.

Ao final da entrevista, o atacante reforçou que suas críticas não tinham o objetivo de atingir pessoas específicas e reiterou o vínculo com o clube, independentemente de quem permanecer na Ilha do Retiro.

“É mais um desabafo, não estou aqui para expor ninguém, eu assumo a responsabilidade também, todo mundo sabe que eu quero o melhor do Sport, eu estando aqui ou não, estando o Soso aqui ou não, estando o presidente Matheus aqui ou não, eu sempre vou torcer para o Sport, então acho que é isso, eu estando vivendo de dentro desse clube, acho que é isso que eu tenho para falar e deixar o recado para os torcedores.”