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Sport lidera dívidas dos clubes da Série B, e Náutico aparece em segundo, aponta a ANRESF

Leão acumula R$ 422 milhões em dívidas totais, enquanto Timbu soma cerca de R$ 292 milhões

Gabriel Farias

Publicado: 21/10/2026 às 17:53

Escudo de Sport e Náutico/Paulo Paiva/SCR e Rafael Vieira/CNC

Escudo de Sport e Náutico (Paulo Paiva/SCR e Rafael Vieira/CNC)

Sport e Náutico ocupam as duas primeiras posições no ranking de endividamento dos clubes da Série B do Campeonato Brasileiro. Os dados fazem parte de um painel divulgado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), que reúne informações financeiras dos 40 participantes das Séries A e B, com base nos balanços do fim de 2025 e nas declarações de obrigações vencidas até 30 de junho de 2026.

O Sport lidera a lista da Segunda Divisão, com R$ 422 milhões em dívidas totais, e aparece com ampla vantagem sobre o Náutico. O Timbu ocupa a segunda colocação, com cerca de R$ 292 milhões, seguido pelo Fortaleza, com R$ 291 milhões, e pelo América-MG, com R$ 283 milhões.

O levantamento também permite comparar os clubes das duas principais divisões nacionais. Caso os valores da Série A e da Série B sejam reunidos em uma única classificação, o Sport apareceria na 14ª posição, enquanto o Náutico ocuparia o 18º lugar.

O ranking geral seria liderado pelo Corinthians, com R$ 2,76 bilhões, seguido por Atlético-MG, com R$ 2,66 bilhões, e São Paulo, com R$ 2,45 bilhões.

O cenário de endividamento também já motivou medidas da ANRESF. Como noticiado anteriormente, Sport e Náutico receberam advertências públicas do órgão por irregularidades financeiras. As decisões consideraram pendências relacionadas a obrigações com atletas, outros clubes e órgãos públicos, com prazos para regularização.

No caso do Sport, a agência destacou o caráter educativo da medida e não aplicou sanções mais severas neste processo. O Náutico, por sua vez, foi alertado sobre a necessidade de comprovar pagamentos e regularizar débitos, sob risco de transfer ban.

SPORT

Além de liderar o ranking de endividamento da Série B, o Sport apresenta indicadores que evidenciam a pressão sobre o caixa do clube. Segundo o painel da ANRESF, a dívida total registrada no balanço de 31 de dezembro de 2025 era de R$ 324 milhões. O valor inclui obrigações que ainda não haviam vencido, mas não considera R$ 99 milhões em receitas recebidas antecipadamente.

O clube tinha R$ 401 milhões em bens e direitos. Mesmo com esse ativo superior ao valor da dívida total, o balanço apresentava patrimônio líquido negativo de R$ 22 milhões, considerando também as receitas antecipadas registradas no passivo.

A maior preocupação está no curto prazo. Do total de R$ 324 milhões, R$ 184 milhões (equivalentes a 57%) venciam em até 12 meses. O Sport dispunha de R$ 35 milhões em recursos de curto prazo, o que representava uma cobertura de apenas 19% dessas obrigações.

Na composição da dívida, R$ 130 milhões correspondiam a obrigações trabalhistas, impostos e parcelamentos, enquanto R$ 84 milhões eram devidos a fornecedores. O levantamento também registrou R$ 48 milhões em provisões para processos judiciais, R$ 35 milhões em transferências de atletas e R$ 27 milhões em dívidas com partes relacionadas.

Pendências financeiras e recuperação judicial

O painel informa que, em 30 de junho de 2026, o Sport declarou dívidas vencidas e não pagas com atletas e funcionários, outros clubes (relacionadas a transferências de jogadores) e o poder público, incluindo impostos e parcelamentos.

Os atrasos abrangem obrigações anteriores a 2026, submetidas ao período de transição previsto no regulamento, e dívidas constituídas a partir deste ano. Parte das pendências com atletas, funcionários e transferências está incluída nos processos de recuperação judicial ou no plano de credores e, por isso, não aparece na contabilização dos atrasos acompanhados pelo painel.

O Sport está em recuperação judicial desde 2023 e também possui um plano coletivo de credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). As dívidas incluídas nesses processos não são contabilizadas como atrasos no painel.

NÁUTICO

O Náutico aparece na segunda posição entre os clubes mais endividados da Série B. No ranking informado, o passivo total do Timbu é de aproximadamente R$ 292 milhões.

O clube tinha R$ 147 milhões em bens e direitos, valor inferior ao total de suas obrigações. O balanço apontava patrimônio líquido negativo de R$ 145 milhões, considerando também as receitas recebidas antecipadamente.

Diferentemente do Sport, cuja maior parcela da dívida vence no curto prazo, o passivo do Náutico está concentrado no longo prazo. Dos R$ 291 milhões registrados, R$ 30 milhões (cerca de 10%) venciam em até 12 meses, enquanto R$ 260 milhões tinham vencimento posterior a esse período.

Apesar da proporção menor de obrigações de curto prazo, a capacidade de cobertura também é reduzida. O Náutico tinha R$ 3,5 milhões em recursos de curto prazo para uma dívida de R$ 30 milhões, o equivalente a 11% de cobertura.

Provisões judiciais concentram a dívida alvirrubra

O principal componente do endividamento do Náutico são as provisões para processos judiciais, que somavam R$ 260 milhões, equivalentes a 90% da dívida total. O balanço também registrava R$ 13 milhões em obrigações trabalhistas, impostos e parcelamentos, R$ 9,6 milhões em empréstimos e outras dívidas, R$ 4,8 milhões com fornecedores e R$ 3 milhões em transferências de atletas.

Assim como o Sport, o Náutico está em recuperação judicial desde 2023 e possui um plano coletivo de credores na CNRD. O painel também aponta obrigações vencidas e não pagas declaradas pelo clube até 30 de junho de 2026, envolvendo atletas, funcionários, transferências de jogadores e o poder público.

No caso dos impostos e das obrigações governamentais, o detalhamento informa atrasos em dívidas constituídas a partir de 2026.

Como ficaria o ranking geral das dívidas?

Se os valores informados para as Séries A e B forem reunidos em uma única lista, o Sport ficaria atrás do Bragantino, que registra R$ 772 milhões, e à frente do Vitória, com R$ 408 milhões. O Náutico apareceria na 18ª posição, considerando os R$ 292 milhões do ranking fornecido, logo atrás do Fortaleza, com R$ 291 milhões.

No topo da classificação geral, o Corinthians lidera com R$ 2,76 bilhões, seguido por Atlético-MG (R$ 2,66 bilhões), São Paulo (R$ 2,45 bilhões), Botafogo (R$ 2,01 bilhões) e Palmeiras (R$ 1,58 bilhão).

O painel da ANRESF reúne informações de endividamento total e de obrigações vencidas. A dívida total considera também compromissos ainda não vencidos, enquanto os atrasos declarados correspondem à situação registrada em 30 de junho de 2026.

Além disso, a agência ressalta que os clubes não adotam um padrão único para detalhar todas as contas dos balanços, o que exige cautela nas comparações entre categorias específicas de dívida.

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