Beto Lago: 'Primeiro turno chegou ao fim e foi frustrante para rubro-negros e alvirrubros'
Primeiro turno chegou ao fim e chega a ser frustrante para as duas torcidas
Publicado: 24/07/2026 às 09:29
Sport e Náutico empataram em 3 a 3 no primeiro jogo da final do Pernambucano de 2026 (Paulo Paiva/Sport)
Primeira fatia
O fim do primeiro turno da Série B deixa um retrato preocupante para Sport e Náutico. Os dois clubes chegam à metade da competição longe do G6 e com uma pontuação muito abaixo da expectativa criada no início da temporada. Mais do que os números, pesa a sensação de que ambos desperdiçaram oportunidades decisivas nas últimas rodadas.
No Sport, a crise se aprofunda. O jejum de vitórias já ultrapassa dois meses e nem a chegada de Gilmar Dal Pozzo foi capaz de provocar a reação esperada. O time continua produzindo muito pouco ofensivamente, vive de lances individuais. A defesa até estava mais organizada na partida contra o Goiás, mas ainda assim o gol adversário veio na indecisão dos zagueiros e do goleiro Thiago Couto. Ou seja, questão de posicionamento – jogadores precisam ser mais cobrados.
No Náutico, a vitória sobre o Londrina interrompe a sequência negativa, mas também escancara uma dependência. Jean Carlos mudou o time. Com liderança, qualidade técnica e protagonismo nas bolas paradas, marcou um gol, deu assistência para outro e mostrou o quanto faz diferença. Ainda assim, os três pontos só vieram graças às defesas decisivas de Muriel. O talento de Jean Carlos devolve esperança, mas não resolve os problemas estruturais. O Timbu continua vulnerável defensivamente e precisa de reforços.
Caso contrário, a tendência é seguir preso à incômoda faixa intermediária da tabela, distante da briga pelo acesso. Primeiro turno chegou ao fim e chega a ser frustrante para as duas torcidas. Agora, outras 19 rodadas para recuperar o terreno perdido.
O Sport já sofreu gols após os 40 minutos do segundo tempo em seis partidas desta Série B, sendo três delas na Ilha do Retiro. Esse problema recorrente custou, pelo menos, nove pontos ao Leão. Com essa pontuação, a equipe estaria hoje bem próxima do líder Criciúma. Mais do que azar, os números revelam uma deficiência de concentração e gestão de jogo que precisa ser corrigida com urgência.
Normal? Não no Sport
A pior resposta de Gilmar Dal Pozzo sobre o Sport terminar o primeiro turno fora do G6 foi uma única palavra: "normal". Não, não é normal. Um clube com o Sport, com o investimento que faz e a obrigação de lutar pelo acesso, não pode tratar como natural estar fora da disputa. A declaração revela conformismo justamente quando o time precisa demonstrar inconformismo e capacidade de reação. O acesso ainda é possível. O que não pode ser normalizado é o fracasso. No Sport, ficar fora do G6 nunca deveria ser encarado como algo comum.
O preço da violência e a crítica
Na entrevista pós-jogo, Hélio dos Anjos fez declarações fortes. O relato sobre os gastos com segurança pessoal é alarmante e evidencia como a violência de parte da torcida ultrapassa todos os limites. Mas, ao atacar um jornalista sério e competente como Clauber Santana, o treinador errou. Foi uma reação gratuita diante de críticas legítimas, coerentes e sempre restritas ao trabalho profissional. Nesse ponto, Hélio perdeu a razão no desabafo.