Beto Lago: "Sport convive com uma crise anunciada, à beira da explosão"
O balanço de 2025 do Sport não deixa margem para interpretação otimista e expõe um clube que atravessou um processo claro de deterioração financeira
Publicado: 01/05/2026 às 07:11
Yuri Romão, presidente do Sport ( Paulo Paiva/Sport Recife)
O balanço de 2025 do Sport não deixa margem para interpretação otimista. Não aponta apenas dificuldades, mas expõe um clube que atravessou um processo claro de deterioração financeira ao longo do último exercício. O número que salta aos olhos: prejuízo de R$ 112,4 milhões. É 6,8 vezes pior que o resultado negativo de 2024. Um salto brutal que não pode ser tratado como oscilação pontual. Foi um total descontrole.
E o dado mais simbólico vem logo na sequência: isso aconteceu mesmo com a receita mais que dobrando. Ou seja, o problema do Sport não foi arrecadar. Foi gastar. O próprio relatório admite: o crescimento da receita não foi acompanhado por disciplina nos custos. O resultado é direto, com a deterioração do patrimônio e colapso do caixa. O patrimônio líquido, que era positivo em R$ 82,3 milhões em 2024, virou um negativo de R$ 21,7 milhões em 2025. Em termos práticos, o clube não perdeu sua margem de segurança: entrou no vermelho estrutural.
E o caixa talvez seja o retrato mais dramático da situação: R$ 2,3 milhões ao fim do exercício, uma queda de 93% em relação ao ano anterior. A fotografia fica mais pesada quando se olha o passivo imediato: R$ 47 milhões em obrigações acumuladas, entre débitos trabalhistas, fiscais e esportivos. É dinheiro que precisa ser pago, e rápido, por quem praticamente não tem liquidez. O Sport convive com uma crise anunciada, à beira da explosão e que precisa ser contida imediatamente. Pelo bem do presente e do futuro do clube.
Práticas que ajudaram a este colapso
O relatório traz práticas que explicam o colapso: antecipação de receitas futuras, contratações acima da capacidade financeira e decisões sem respaldo orçamentário. Em resumo, o clube gastou o dinheiro que não tinha e pagou a conta com juros esportivos e financeiros. E veio a ruptura institucional. Renúncia do presidente, eleição suplementar e nova gestão que assumiu em dezembro em cenário crítico: caixa esgotado, dívidas acumuladas e credibilidade do clube em xeque.
Relatório trimestral e auditoria
Junto ao balanço financeiro, o Sport também apresentou o relatório do 1º trimestre, com dados atualizados sobre o clube: desempenho de receitas, gestão de pessoal, redução de custos em infraestrutura e os pagamentos da recuperação judicial. Tudo disponível no Portal da Transparência do clube. Sobre a auditoria independente, a expectativa é divulgar em junho. Esse documento precisa ir além do rito formal: apontar responsabilidades e explicar como o clube chegou a esse cenário. Não pode ficar apenas na narrativa.