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CLÁSSICO DAS MULTIDÕES

Na véspera de um ano de confronto entre organizadas, Sport e Santa Cruz se enfrentam sob clima de tensão

Às vésperas de completar um ano da ‘guerra’ de 2025, OAB-PE classifica segurança para o clássico deste sábado como de ‘preocupação elevada’

Igor Fonseca

Publicado: 30/01/2026 às 06:00

Na véspera de um ano de confronto entre organizadas, Sport e Santa Cruz se enfrentam sob clima de tensão./Foto: Reprodução/Redes Sociais

Na véspera de um ano de confronto entre organizadas, Sport e Santa Cruz se enfrentam sob clima de tensão. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Sport e Santa Cruz entram em campo, neste sábado (31), pela última rodada da 1ª fase do Campeonato Pernambucano 2026, na Ilha do Retiro.

Com apenas um ponto separando as duas equipes na tabela da competição, a partida promete ser decisiva para saber quem disputa uma fase eliminatória e o time que se classifica direto para a semifinal do pernambucano.

O foco, entretanto, tem sido outro. Isso porque, no domingo, 1º de fevereiro, completará um ano da 'guerra' nas ruas do Recife que aterrorizou moradores e deixou, ao menos, 12 feridos. Especialmente após outro confronto entre as torcidas dos dois times no último domingo (25), antes do clássico entre Santa Cruz e Náutico, na Arena Pernambuco, mesmo com torcida única e em partida que não envolvia o Sport.

Após os confrontos, a medida adotada pela Federação Pernambucana de Futebol (FPF) e pelo Governo do Estado foi determinar torcida única para os clássicos.

Em nota enviada ao Diario de Pernambuco, uma comissão da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Pernambuco (OAB-PE) classificou o jogo deste sábado como de 'preocupação elevada'.

"O nível de preocupação é elevado, especialmente diante do contexto recente e do histórico de episódios de violência em períodos próximos a clássicos", disse a comissão.

Para a comissão, devido ao simbolismo da data e à mobilização social, a segurança para o clássico exige "planejamento reforçado e medidas preventivas articuladas" para que o torcedor comum não fique exposto a situações de risco.

A entidade classifica, ainda, a medida adotada por torcida única em clássicos como 'insuficiente'.

"A Comissão entende que a torcida única, por si só, não tem se mostrado solução suficiente para o enfrentamento da violência, sobretudo quando os episódios ocorrem fora da área desportiva e envolvem conflitos em áreas públicas e eixos de deslocamento", afirma o documento. "A Comissão avalia que a adoção da torcida única não tem sido capaz, isoladamente, de solucionar problemas de segurança pública, especialmente diante da recorrência de conflitos fora do estádio", completa.

Entre algumas medidas sugeridas pela comissão da OAB-PE estão:

  • Mapeamento e vigilância reforçada de pontos historicamente críticos;
  • Intensificação do policiamento preventivo nos eixos de transporte e deslocamento;
  • Monitoramento em tempo real de aglomerações na Região Metropolitana, com análise de risco e pronta intervenção preventiva;
  • Identificação e responsabilização individual de todos os envolvidos, com apuração célere e punição exemplar aos responsáveis por atos de violência;
  • Criação de um batalhão especializado para eventos e praças esportivas.

POSIÇÃO DO GOVERNO

Apesar das críticas, o Governo de Pernambuco e as forças de segurança defendem a eficácia das ações atuais. Na última segunda-feira (26), em entrevista coletiva concedida após confronto que ocorreu antes do clássico entre Santa Cruz e Náutico, o Delegado de Repressão à Intolerância Esportiva, Raul Carvalho (DPrie/ Core/ PCPE), afirmou que as ações tomadas estão sendo bem-sucedidas.

"A torcida única auxilia nos trabalhos preventivos para a gente. O último evento fatídico foi aquele de 2 de fevereiro e depois a gente não teve mais nenhum caso de repercussão aqui em relação a isso", afirmou o delegado.

JOGO CONTARÁ COM 974 POLICIAIS MILITARES

A Polícia Militar de Pernambuco lançará 974 policiais militares para garantir a segurança na partida entre Sport x Santa Cruz. A área interna do estádio contará com 127 policiais do Batalhão de Choque (BPChoque) e da Companhia Independe de Policiamento com Cães (CIPCães).

Sob o comando do 12° BPM, a área externa e as principais vias de acesso ao local do jogo contarão com a presença de 847 policiais que farão a segurança dos torcedores. Nas estações do metrô e terminais integrados de passageiros serão lançadas guarnições no patrulhamento motorizado para inibir a ação de vândalos. Toda operação policial será monitorada por oficiais da Corporação através das câmeras de segurança no Centro Integrado de Comando e Controle Estadual (CICCE).

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