Seleção Brasileira
Bola parada

Média de altura: o alerta da fita métrica ao caminho do Brasil na Copa

Com estatura de 1,82m, Brasil fica no meio do ranking na Copa e pode encarar sequência de gigantes no "mata" se avançar em 1º no Grupo C, inclusive a grandalhona Noruega. Japão cresce e exige atenção

Correio Braziliense

Publicado: 09/06/2026 às 11:49

Alisson, goleiro da Seleção Brasileira/Rafael Ribeiro/CBF

Alisson, goleiro da Seleção Brasileira (Rafael Ribeiro/CBF)

Gigantes pela própria natureza como a Noruega, a Holanda e a Alemanha podem dificultar o caminho do hexa. O Brasil desembarca na Copa do Mundo da América do Norte com a 24ª maior média de altura entre as 48 seleções classificadas para o torneio com início nesta quinta-feira (11/6) no Canadá, nos Estados Unidos e no México: 1,82m. Exatamente no meio do ranking. O levantamento diz respeito aos 1.248 jogadores inscritos, ou seja, 26 de cada um dos 48 países classificados.

O dado poderia passar despercebido não fosse um detalhe no chaveamento: se confirmar o favoritismo e avançar em primeiro lugar no Grupo C contra Marrocos, Haiti e Escócia, o elenco de Carlo Ancelotti poderá enfrentar uma sequência de adversários mais altos a partir da fase eliminatória. Um alerta em tempos de futebol extremamente físico e de jogadas ensaiadas em busca da cabeça dos grandalhões.

Em tese, a altura não deve ser problema na primeira fase. Com média de 1,82m, o Brasil só fica atrás da Escócia no Grupo C. O terceiro adversário, em Miami, tem 1,84m. Centímetros separam a Seleção da estatura de Marrocos. O primeiro adversário neste sábado, às 19h (de Brasília) no MetLife Stadium, praticamente empata com o Brasil na comparação. O Haiti é o mais baixo da turma, mas nem tanto: 1,81m. Os dois países se enfrentam no dia 19.

O primeiro obstáculo pode surgir nos 16 avos de final. O cruzamento aponta para o Grupo F, no qual a Holanda desponta como principal candidata à vaga. A Laranja Mecânica tem média de 1,84m, a oitava maior da Copa.

O Japão, outro possível rival, não supera o Brasil em estatura média, mas simboliza uma transformação importante do futebol moderno. Os nipônicos chegam à Copa com a maior média de altura em participações na Copa. Vários titulares estão acima de 1,85m. A altura pesou na eliminação de 2018 contra a Bélgica nas oitavas de final. Os samurais venciam a partida por 2 x 0 e tomaram a virada de Lukaku e companhia na base dos cruzamentos.

Na tentativa de resolver o problema, o Japão passou a ter cada vez mais jogadores em ligas de ponta como Alemanha, Inglaterra, Bélgica e Holanda; passou a incluir cada vez mais zagueiros, goleiros e volantes físicos e mais altos entre 1,86m e 1.90m. Há mais foco em força, velocidade e intensidade menos exclusividade no jogador leve e técnico. A média de altura do Japão praticamente bate com os europeus Espanha e Portugal, por exemplo e começa a superar o estereótipo de seleção mais baixa e leve.

Se avançar, o Brasil pode encontrar um desafio ainda maior nas oitavas. Alemanha (1,85m), França (1,84m) e a Noruega (1,87m) são os candidatos ao cruzamento. Os noruegueses dividem o posto de equipe mais alta da Copa com a Bósnia e Herzegóvina e personificam uma tendência no futebol internacional: a combinação entre força física, velocidade e qualidade técnica.

O caminho projetado para as quartas de final reserva outro gigante. A Inglaterra, com média de 1,84m, figura entre os favoritos do outro lado da chave. Em uma eventual sequência sem grandes zebras, o Brasil poderia disputar três confrontos consecutivos contra seleções mais altas do que a comandada pelo italiano Carlo Ancelotti.

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A altura, evidentemente, não decide jogos. A Argentina campeã do mundo em 2022 tinha média de 1,80m, ou seja, inferior à atual do Brasil. Mas o dado ajuda a explicar uma mudança silenciosa no perfil das grandes seleções. O futebol internacional ficou mais físico. Zagueiros mais altos, atacantes mais fortes, laterais com porte de meio-campistas e goleiros cada vez mais próximos dos dois metros tornaram-se regra entre as potências.

Nesse cenário, o Brasil segue apostando em outra tradição. Vinícius Júnior, Raphinha e Neymar, por exemplo, representam uma escola construída menos na imposição física e mais na capacidade técnica, na velocidade e na criatividade. A Copa de 2026 pode oferecer um contraste interessante: de um lado, seleções cada vez maiores; do outro, um Brasil que continua acreditando na velha fórmula: o talento ainda pesa mais do que os dados da fita métrica.

 

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