Convocação de Ancelotti mistura experiência, futebol brasileiro e retorno de Neymar à Seleção
Convocação tem sete jogadores que atuam no futebol brasileiro, maior número desde 2002
A convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 confirmou algumas tendências do ciclo recente da Seleção Brasileira, trouxe decisões baseadas em experiência e abriu espaço para debates importantes sobre escolhas técnicas, nomes surpreendentes e, principalmente, o retorno de Neymar ao principal palco do futebol mundial.
O treinador italiano anunciou nesta segunda-feira (18) os 26 jogadores que representarão o Brasil no Mundial disputado nos Estados Unidos, México e Canadá. Entre veteranos consolidados, atletas do futebol brasileiro e jovens em ascensão, a lista mostrou um perfil claro: equilíbrio entre liderança, rodagem internacional e jogadores acostumados a ambientes de pressão.
A principal notícia, naturalmente, foi a presença de Neymar. Fora da Seleção desde a grave lesão sofrida em 2023, o camisa 10 retorna oficialmente após dois anos e meio e disputará sua quarta Copa do Mundo.
Neymar volta ao centro das atenções
A convocação de Neymar era o tema mais debatido em torno da Seleção Brasileira nas últimas semanas. O atacante do Santos conviveu durante todo o ciclo com dúvidas físicas, retornos interrompidos e questionamentos sobre sua condição para disputar um torneio de altíssimo nível competitivo. Mesmo assim, Ancelotti decidiu apostar na experiência do camisa 10.
“Fizemos a avaliação do Neymar e vimos que, neste último período, ele jogou com competitividade e melhorou a sua condição física. Pensamos que ele vai ser um jogador importante nesta Copa do Mundo”, afirmou o treinador.
O italiano também destacou o peso do atacante dentro do ambiente da Seleção.
“A partir disso, ele tem experiência neste tipo de competição, e o carinho que ele tem no grupo pode criar um ambiente melhor para ajudar a equipe”, completou.
A convocação marca a quarta participação de Neymar em Mundiais. O atacante já disputou as Copas de 2014, 2018 e 2022. Ao todo, soma 13 jogos, oito gols e quatro assistências em Copas do Mundo.
A tendência é que o Mundial de 2026 represente a despedida de Neymar das Copas. Aos 34 anos durante o torneio, o camisa 10 chega cercado pela expectativa na busca pelo hexacampeonato.
Convocação tem perfil experiente
A lista de Ancelotti também chamou atenção pelo peso da experiência em setores estratégicos do elenco.
No gol, por exemplo, o treinador deixou de fora nomes que participaram de praticamente todo o ciclo recente, como Bento e Hugo Souza, para apostar em Weverton, de 38 anos, como terceiro goleiro ao lado de Alisson (33) e Ederson (32).
“Para essa competição precisamos de jogadores experientes”, justificou Ancelotti.
O italiano ainda destacou a dificuldade da escolha final.
“Não foi fácil, foi difícil, porque a competição era muito alta. Avaliamos mais de 60 jogadores”, afirmou.
Além de Neymar, outros jogadores rodados ganharam espaço na lista, como Marquinhos (32), Casemiro (34), Danilo (34), Alex Sandro (35) e Fabinho (32), reforçando a ideia de um grupo mais maduro para enfrentar um torneio curto e de alta pressão.
Futebol brasileiro ganha espaço
Outro ponto que chamou atenção foi o número de atletas que atuam no futebol brasileiro presentes na convocação. Ao todo, sete jogadores que atuam no país foram chamados, maior número desde a Copa do Mundo de 2002.
Entre eles estão o atacante Neymar e meia Danilo, do Santos e Botafogo, respectivamente, além de Alex Sandro, Danilo e Léo Pereira, do Flamengo, e Weverton, do Grêmio.
Ancelotti, inclusive, fez questão de valorizar o futebol nacional.
“Dizem que o futebol europeu tem mais intensidade, mas jogar futebol aqui é muito complicado. Calendário apertado, viagem, calor”, destacou.
Cortes surpreendem
Se algumas escolhas seguiram a lógica da experiência, outras geraram surpresa.
O atacante João Pedro, do Chelsea, acabou fora da lista mesmo após grande temporada na Premier League. O brasileiro marcou 20 gols em 49 jogos pelo clube inglês e era considerado um dos nomes fortes do ciclo ofensivo da Seleção.
Curiosamente, semanas antes da convocação, o próprio João Pedro havia defendido publicamente a presença de Neymar na Copa.
Além dele, Andrey Santos também ficou fora mesmo após ganhar espaço nas últimas convocações.
No gol, Bento perdeu espaço após oscilações recentes no Al-Nassr, enquanto Hugo Souza também acabou preterido na disputa pela terceira vaga.
Richarlison, homem de confiança de Ancelotti nos tempos de Everton, também não apareceu entre os convocados.
Base do time já começa a aparecer
Embora Ancelotti ainda tenha amistosos antes da estreia, a tendência é que a Seleção chegue à Copa com uma estrutura já bem definida.
A provável formação inicial do Brasil para enfrentar Marrocos, na estreia do Grupo B, tem:
Alisson; Wesley, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Raphinha, Vinícius Júnior e Matheus Cunha.
A estreia brasileira será no dia 13 de junho, diante do Marrocos. Antes disso, a Seleção encara Panamá, no Maracanã, em 31 de maio, e Egito, já nos Estados Unidos, em 6 de junho.