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OPINIÃO

Neymar: o Marty McFly da Seleção Brasileira

A chegada de helicóptero à Granja Comary com uma nova lesão repete o roteiro de 2014 e coloca a Seleção Brasileira em um túnel do tempo a poucos dias da Copa

Ricardo Novelino

Publicado: 27/05/2026 às 14:36

Neymar: o Marty McFly da Seleção Brasileira /Fotos: Vítor Silva/CBF | Reprodução/Redes Sociais

Neymar: o Marty McFly da Seleção Brasileira (Fotos: Vítor Silva/CBF | Reprodução/Redes Sociais)

Parece um túnel do tempo. Como se o carro de Marty McFly, do filme “De Volta para o Futuro”, estivesse na Granja Comary, em Teresópolis, no Rio de Janeiro. E o lendário personagem do imaginário pop mundial acompanhasse a Seleção Brasileira de futebol em um período de Copa do Mundo.

Na cena desta quarta (27), um helicóptero estilizado com as iniciais NJR, na cauda, pousou em um dos gramados no centro de treinamento da equipe, que busca o hexa no torneio dos Estados Unidos, México e Canadá, a partir do próximo mês.

Da aeronave, desembarcou Neymar Jr., hoje jogador do Santos Futebol Clube. Com a camisa 10 da equipe já confirmada antes mesmo de os trabalhos serem iniciados oficialmente, o atleta chegou machucado. Tem um problema, ainda não muito bem explicado, na panturrilha. Mais uma lesão entre tantas outras.

Com uma interrogação na cabeça de todos que acompanham o futebol (vai ou não vai ter condições de jogar?), ele chegou para se apresentar ao técnico italiano Carlo Ancelotti, o primeiro estrangeiro a dirigir o Brasil em um Mundial, em toda a história.

Foi uma comoção. Os amigos e “parças” que estavam na Granja aplaudiram. Os blogs e alguns canais de YouTube se derreteram.

Como se estivesse chegando o “salvador”. E ficou marcada a cena do helicóptero preto chegando e a expectativa no ar, sem trocadilhos.

Como tudo está no início, a chegada teve clima festivo. Muito diferente de outra cena protagonizada por Neymar Jr. e seu helicóptero, há quase 12 anos, na mesma Granja Comary.

É aí que entra a participação de Marty McFly nessa história futebolística. Imaginem se o personagem interpretado pelo ator Michael J. Fox pudesse entrar no DeLorean prateado, criado pelo Dr. Brown (personagem de Christopher Lloyd), e voltasse ao dia 5 de julho de 2014.

Diretamente do futuro para o passado, o nobre personagem hollywoodiano acompanharia uma cena com Neymar Jr. e um helicóptero. Vale lembrar.

Naquela época, o Brasil estava em “festa” com a Copa realizada no país. O time de Luiz Felipe Scolari (o Felipão) e Carlos Alberto Parreira, dois últimos técnicos campeões com a Amarelinha, se preparava para enfrentar a Alemanha, em uma das semifinais, no Mineirão, em Belo Horizonte.

Na véspera, o jogador, que também carregava a 10, eternizada por Pelé, levou uma joelhada de um cidadão chamado Zúñiga, da Colômbia. O time ganhou por 2x1, mas o atacante foi ao chão e de lá seguiu para o hospital. Horas depois, estava decretado. O então “Menino Ney” ou o “messias brasileiro” estava fora do jogo contra o esquadrão germânico.

É aí que entra a cena do helicóptero. A aeronave foi até a Granja Comary buscar o jogador. Pousou em um dos gramados e levou o atleta pelos ares. Pronto. Virou um velório. Os companheiros “surtaram” e se despediram do rapaz como se eles estivessem indo para a forca e não para a recuperação em uma de suas mansões.

O resultado disso tudo, todo mundo está farto de saber. Levamos de 7x1 na cabeça e vivenciamos a maior humilhação da história da Canarinho, em todos os tempos. E logo em casa.

Com quase 12 anos separando as duas cenas, a Seleção Brasileira precisa não se “envolver” na “questão Neymar Jr.”. O talento já apresentado por ele, ao longo de parte da carreira, é inegável. Mas o helicóptero de 2026 levou para a equipe de Ancelotti um atleta em condições não muito bem esclarecidas.

Cabe destacar. Comoções são boas para dar clima a um evento como a Copa do Mundo. Mas só o marketing não ganha jogo.

Vamos esperar que Marty McFly pegue o DeLorean e vá para os Estados Unidos, na final, e veja o Brasil ser campeão de novo, após 24 anos. Que a cena final seja igual a 1994 e 2002 e passe longe das últimas três desclassificações, nas quais Neymar Jr. estava presente com a camisa 10.

Que o helicóptero de Neymar Jr. traga apenas bons ventos.

 

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