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Copa do Mundo: laboratório para mudanças nas regras e arbitragem do futebol

Várias regras foram introduzidas no esporte mais popular do planeta ao longo dos Mundiais

Marcos Leandro

Publicado: 12/04/2026 às 13:15

VAR terá atuação ampliada a partir da Copa do Mundo de 2026 /INA FASSBENDER / AFP

VAR terá atuação ampliada a partir da Copa do Mundo de 2026 (INA FASSBENDER / AFP)

Referência em praticamente tudo no futebol, a Copa do Mundo também é laboratório para arbitragem. Várias regras foram introduzidas no esporte mais popular do planeta ao longo dos Mundiais. Desde a incorporação dos cartões amarelos e vermelhos, que hoje parecem tão banais, até a maior participação do VAR (assistente de vídeo) nas decisões do árbitro, como vai acontecer a partir da Copa deste ano, nos Estados Unidos, México e Canadá.

 

 

Por falar nos cartões, você sabe como eles surgiram? A ideia veio após uma grande confusão na Copa de 1966, no jogo das quartas final entre os anfitriões ingleses e os argentinos em Wembley. O capitão dos hermanos, Antonio Rattin, contestou a marcação do árbitro Rudolf Kreitlein. O juiz, alemão, não falava espanhol e, como não havia os cartões, expulsou o jogador da Argentina com o dedo indicador. A confusão aumentou e Rattin precisou ser retirado a força do gramado, após 10 minutos de paralisação. O episódio fez a Fifa e a International Board, que rege as regras no futebol, incorporarem os cartões amarelos e vermelhos na Copa de 1970, no México. A inspiração veio dos sinais de trânsito.

 Ter um cartão amarelo, aliás, às vezes é um dos critérios para os técnicos substituírem um jogador. Mas isso também só passou a ser possível a partir da Copa do Mundo. No Mundial de 1958, na Suécia, a Fifa permitiu mudanças de atletas em caso de lesão durante a partida. Só em 1970 duas substituições foram permitidas, independentemente da razão. Hoje, são cinco alterações liberadas.

 

 

TECNOLOGIA

 Nas duas últimas décadas, a tecnologia vem ganhando mais espaço no futebol. Mas antes do VAR, uma grande novidade foi o auxílio para tirar a dúvida se a bola ultrapassou ou não a linha do gol. A tecnologia da linha do gol - Goal Line Technology (GLT, sigla em inglês) - , foi testada no Mundial de Clubes no Japão em 2012 e repetida na Copa das Confederações de 2013 e na Copa de 2014 no Brasil.

 O avanço, indo de encontro aos mais tradicionalistas, foi alavancado após um lance absurdo ocorrido na Copa de 2010, na África do Sul. No jogo entre os rivais Alemanha e Inglaterra, pelas oitavas de final, o meia Lampard chutou de fora da área, a bola bateu no travessão e quicou dentro da barra. Seria o empate inglês, que perdia por 2 a 1. Seria, porque nem o árbitro Jorge Larrionda nem os assistentes viram a bola entrar. Os alemães acabaram vencendo o jogo por 4 a 1.

 Para evitar novos erros desse tipo, a GLT funciona usando 14 câmeras que monitoram a bola em 3D. Se a bola cruzar totalmente a linha, o sistema envia um sinal para o relógio do árbitro, confirmando o gol.

 VAR

Mas ainda era preciso ir além de tirar a dúvida se a bola entrou ou não. Prova disso foi a classificação da França sobre a Irlanda nas Eliminatórias para a Copa de 2010. Thierry Henry dominou a bola com a mão e deu uma assistência para Gallas marcar o gol de empate da partida, classificando os franceses.

 Com o sinal verde para a tecnologia, surgiu o famoso VAR (Árbitro de Vídeo), com uma equipe de árbitros acompanhando as imagens da partida e com o poder de alertar e sugerir mudanças em algumas decisões do juiz da partida, como pênalti, expulsão e impedimento. O VAR começou a ser usado em agosto de 2016, na Liga de Futebol dos Estados Unidos. Dois anos depois, estava presente na Copa de 2018, na Rússia.


NOVIDADES PARA 2026

 Para a Copa de 2026, a partir de 11 de junho, as atribuições do VAR serão ampliadas. O árbitro de vídeo poderá revisar lances de segundo cartão amarelo e, se o campeonato permitir, também de escanteios marcados errados.

 Outras medidas serão incorporadas de vez ao futebol. O foco principal é evitar o retardo do jogo, a popular “cera”. Os jogadores substituídos vão precisam sair do campo em até 10 segundos, caso não o façam, o substituto só poderá entrar na primeira pausa após um minuto.

 Com exceção de atendimentos dentro de campo ao goleiro e em choque de cabeça, o jogador que pedir ajuda médica deverá ficar fora de campo por um minuto corrido a partir do reinício do jogo. Quando julgar que há tentativa de retardar o reinício do jogo em lateral e tiro de meta, o árbitro apitará e iniciará contagem de cinco segundos com a mão aberta; passado esse tempo, o lateral será revertido e o tiro de meta se transformará em um escanteio para o adversário.

LANCES CLÁSSICOS SERIAM INVALIDADOS

 Caso o VAR ou a tecnologia na linha do gol existissem há mais tempo, alguns dos lances mais antológicos das Copas seriam anulados. O maior deles, sem dúvida, seria a invalidação do gol de Maradona com a mão contra a Inglaterra, nas quartas de final da Copa de 1986 no México. “El pibe de oro” (o menino de ouro) desviou com a mão, ao subir e disputar a bola com o goleiro Peter Shilton. A Argentina, que seria a campeã, venceu por 3 a 2 graças a “La Mano de Dios”, a Mão de Deus.

Já na Copa de 1966 aconteceu um dos lances mais polêmicos de todos os Mundiais. Na prorrogação da final entre Inglaterra e Alemanha Ocidental, o chute de Hurst bateu no travessão e a bola quicou próxima à linha do gol. O tento foi validado e os alemães reclamam até hoje. Os ingleses foram campeões, 4 a 2. 

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