Reviravolta: como o Santa Cruz sobreviveu ao fundo do poço para voltar à Série B
Rebaixamentos sucessivos, falta de calendário e reestruturação. Relembre a dramática jornada do Tricolor do Arruda até o aguardado acesso em 2026
Publicado: 03/10/2026 às 20:10
Do fundo do poço à redenção como o Santa Cruz sobreviveu ao deserto para voltar à Série B. (Fotos: Rafael Vieira/FPF)
O apito final no Estádio Dilzon Melo, em Varginha, Minas Gerais, no dia 11 de novembro de 2017, na partida entre Santa Cruz e Boa Esporte, foi o começo de uma contagem regressiva que parecia não ter fim para a torcida tricolor. A derrota por 4 a 2 contra o time mineiro decretou, junto com resultados da rodada à época, o rebaixamento do Santa Cruz da Série B para a C.
O que o torcedor do Santa não sabia, no entanto, era o tamanho da montanha que a equipe teria que escalar para voltar à segunda divisão do Campeonato Brasileiro.
Foram quase nove anos — mais de 3 mil dias — de sofrimento e angústia para uma torcida apaixonada, que enfrentou as piores adversidades possíveis no futebol brasileiro, com a Cobra Coral chegando a ficar sem calendário nacional em 2024. O acesso a Série B neste sábado (3/10) é um passo importante em mais uma reviravolta na história coral.
HISTÓRIA
Em 20 de setembro de 2021, o Diario de Pernambuco relatou um novo episódio dramático da situação do Tricolor do Arruda na capa do jornal. Com o título "Colapso, queda e falta de perspectiva", a publicação destacava que o tricolor havia "descido novamente ao fundo do poço do futebol brasileiro".
Nove dias antes, em 11 de setembro, o Santa Cruz havia perdido para o Altos, em casa, por 1 a 0. A queda matemática, no entanto, veio sem nem entrar em campo, rebaixando o clube da Série C para o "fundo do poço", na Quarta Divisão.
"A derrota por 1 a 0 para o Altos, em pleno Arruda, mostrou que era apenas questão de tempo. E o rebaixamento veio sem precisar sequer entrar em campo, com o empate do Floresta com o Volta Redonda", dizia a reportagem do Diario de 20 de setembro.
O buraco, no entanto, ainda era mais embaixo. Sete anos após a queda da B para a C, a tão sonhada luz no fim do túnel parecia não chegar. Depois de dois anos na Série D, o que já estava ruim piorou quando o Tricolor do Arruda ficou sem calendário — novamente assistindo do sofá, em 19 de setembro de 2023 —, quando o Retrô não conseguiu o acesso para a Série C, o que deixou o Santa sem vaga na quarta divisão do ano seguinte.
"Ficar sem divisão no próximo ano é um reflexo de um 2023 caótico para o Santa Cruz. Na Copa do Nordeste, o time foi eliminado na fase de grupos. No Campeonato Pernambucano, já com o técnico Felipe Conceição contratado para o lugar de Raniele Ribeiro, o Santa foi eliminado nas quartas de final para o Petrolina, nos pênaltis. Com isso, acabou o Estadual em quinto lugar", dizia a matéria do Diario de Pernambuco de 21 de setembro de 2023.
O clube precisaria dar dois passos atrás para voltar a andar para a frente. Em 2024, conseguiu uma campanha mediana que colocou o Tricolor de volta na Série D, mas a classificação só era válida para o ano de 2025. O Santa, então, enfrentaria um novo desafio: passar mais de nove meses sem uma partida oficial.
O Tricolor do Arruda fez apenas 13 partidas no ano, terminando sua temporada em 16 de março, com um empate diante do Sport e derrota nos pênaltis, selando a eliminação na semifinal do Campeonato Pernambucano.
Apesar de ter perdido para o maior rival, a missão do Santa no ano estava cumprida. Já em 2025, o Tricolor começaria um dos anos mais importantes da história do Arruda. A campanha na Série D culminou no retorno da Cobra Coral à Série C, sacramentado num empate diante do América de Natal, na Arena das Dunas, após um gol de cabeça de Wagner Balotelli.
Em meio às incertezas do futuro da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Tricolor, o Santa entrou em 2026 investindo pesado para a Terceira Divisão. À frente da comissão técnica esteve Marcelo Cabo — treinador que garantiu o acesso do clube no ano anterior —, mas ele comandou o time em apenas cinco jogos.
Depois, Fábio Cortez assumiria como interino no Campeonato Pernambucano até a chegada de Claudinei de Oliveira — que também não durou muito no cargo, passando somente seis jogos no comando do Tricolor e conquistando uma única vitória.
Então chegou o técnico que comandaria o Santa Cruz na campanha de redenção: Cristian de Souza. Ele, que estava no Amazonas — líder da competição até aquele momento —, foi contratado com a perspectiva de levar a Cobra Coral de volta à Série B pela primeira vez em quase nove anos.
A campanha na fase regular não foi feita apenas de marés calmas. O Santa só garantiu a classificação para o quadrangular final na última rodada da primeira fase da Série C e ainda teve que contar com uma gama de combinações de resultados.
Na parte decisiva do campeonato, no entanto, o Tricolor logo engatou uma sequência invicta de quatro partidas, conquistando três vitórias, e chegou para o confronto contra o Maringá, na Arena de Pernambuco, com grande vantagem e sacramentou o acesso para a Série B.
O tão esperado retorno chegou. O Santa Cruz voltou para a Série B. E que — para o bem do clube — seja para nunca mais olhar para baixo.