Novo CEO da SAF do Santa Cruz projeta clube sustentável e exalta legado no Botafogo
Em apresentação oficial, dirigente destaca dívida de R$ 350 milhões e afirma que resultados em campo dependerão de reestruturação financeira
Publicado: 11/09/2026 às 15:15
Novo CEO da SAF do Santa Cruz projeta clube sustentável e exalta legado no Botafogo (Foto: Maurício Ferry/DP Foto)
O novo CEO da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Santa Cruz, Thairo Arruda, adotou um tom realista ao projetar o futuro tricolor no processo de transição para clube-empresa. Nesta sexta-feira (11), o dirigente foi apresentado oficialmente à imprensa ao lado de Paraj Tyle, investidor norte-americano.
Thairo — que também atuará como investidor na SAF Coral — esteve por quatro anos à frente da gestão executiva do Botafogo, onde trabalhou com John Textor e participou das conquistas da Libertadores e do Campeonato Brasileiro da Série A, em 2024.
Durante a entrevista coletiva no Auditório Aristófanes de Andrade, no Arruda, o executivo explicou que, diante do passivo acumulado pelo Santa Cruz, a prioridade inicial é alcançar o equilíbrio financeiro.
"Hoje o clube tem uma dívida na casa de 350 milhões de reais. É um clube que hoje joga a Série C, mas tem um passivo do tamanho de um clube de Série A. Nossa meta é ser um clube sustentável financeiramente. Talvez um dos poucos do Brasil que tenha saúde financeira", pontuou.
Em relação ao desempenho nos gramados, Thairo tratou o sucesso esportivo como reflexo direto da estabilidade administrativa.
"Todo o resto — conquistas esportivas, acessos, permanências, subidas de divisão e títulos — é consequência de responsabilidade financeira."
O dirigente também destacou a complexidade das negociações para a concretização da SAF.
“Estamos há mais de cinco meses trabalhando nisso. A aquisição de um clube é muito complexa. Estamos falando de uma instituição centenária, com muitos passivos e problemas que a gente vem trabalhando para encontrar soluções”, explicou.
SAÍDA DA SAF DO BOTAFOGO
Thairo deixou o Botafogo em fevereiro de 2026 após atritos com o empresário norte-americano John Textor.
Questionado pela reportagem do Diario de Pernambuco sobre as lições da experiência no clube carioca — que hoje ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão em dívidas —, ele fez um paralelo entre a infraestrutura que encontrou no Rio e a atual condição do Santa.
"Vindo aqui na sede do Santa Cruz, a sede do Santa Cruz é mais estruturada hoje do que era o Botafogo na época em que a gente entrou lá. Ou seja, não tinha nem cadeira para sentar, não tinha mesa para trabalhar, não tinha computador para funcionários, não tinha chuveiro quente para jogadores, não tinha cozinha para a gente poder alimentar os nossos atletas. Era um caos completo aquele clube", avaliou.
Na sequência, o dirigente destacou a evolução estrutural promovida durante a sua passagem pela equipe carioca.
"Eu saí de lá com o clube muito mais estruturado, hoje com uma estrutura de futebol de primeiríssimo mundo, talvez a melhor do Brasil. É um legado que nós deixamos e isso me orgulha muito", disse.
Ao traçar comparações com outros modelos no país, Thairo citou a SAF do Coritiba como referência para a caminhada coral.
"Tem os altos e baixos, assim como aqui também vai ter. Nós não vamos acertar tudo o que vamos fazer, mas sempre no espírito de crescimento de longo prazo. O meu compromisso aqui é esse: estamos numa maratona. Nós temos que crescer o clube no longo prazo, ano após ano, sendo melhor do que no ano anterior. O Coritiba tem tido esse processo bem interessante, que é um ponto de referência para nós", afirmou.
PROBLEMAS COM SAF DO AMÉRICA-RN E VASCO
A empresa Matix, que tem como sócios Thairo e Danilo Caixeiro — que também participará da SAF Coral —, atuou na intermediação de compras por investidores estrangeiros em outras SAFs no futebol brasileiro, como nos casos de América-RN e Vasco.
“Sobre os trabalhos da Matix, é importante distinguir o que é o processo de aquisição do que é o de gestão. A Matix é uma consultoria e fizemos várias aquisições. Uma vez formalizado o processo de aquisição, já não éramos mais responsáveis por aquela gestão”, esclareceu.
A aquisição do Vasco pela 777 Partners enfrentou crise institucional após a empresa entrar em processo de colapso financeiro global. Sobre isso, Thairo delimitou a atuação da consultoria:
“Assessoramos o Grupo 777 na aquisição do Vasco e conseguimos cumprir com esse processo. Quando a 777 assumiu, acabou o nosso papel lá dentro. Não temos nada a ver com o que aconteceu lá dentro do Vasco", pontuou. “No América-RN, foi a mesma coisa. Se deu certo, não é glória da empresa; se deu errado, também não é culpa nossa", finalizou.