Com milagres de "São Birigui" e bandeira fincada na Ilha, Santa conquista estadual de 1986
Título do Pernambucano de 1986 veio após o placar de 0x0, garantido com grandes defesas de Birigui; após o final final, o presidente do Santa Cruz, Zé Neves, provocou o rival com a bandeira tricolor no gramado da Ilha
Publicado: 10/08/2026 às 14:34
Presidente do Santa Cruz, José Neves, comemorando o título de 1986 na Ilha do Retiro (ACERVO DP)
Há 40 anos, o Santa Cruz se sagrava campeão pernambucano, na Ilha do Retiro, em jogo marcado pelos milagres do goleiro Birigui, responsáveis pelo 0x0 que garantiu o título, e pela provocação do presidente Zé Neves, que fincou a bandeira tricolor no solo sagrado dos rubro-negros, no final da partida.
O campeonato
Com dois turnos conquistados contra um do Sport, o Santa entrou em campo, no dia 10 de agosto de 1986, com a vantagem do empate para ficar com o título estadual.
O regulamento da competição previa a disputa de três turnos. O primeiro e o segundo, com duas fases cada, entre as seis melhores equipes do estado. O terceiro foi um quadrangular, de ida e volta, com os clubes que mais pontuaram.
Os tricolores venceram o primeiro, com o Sport ficando com o segundo. No terceiro, quem entrou na briga foi o Central.
A Patativa do Agreste terminou o quadrangular empatada com o Santa. Oito pontos cada. O que forçou a realização de uma partida extra para decidir quem levava o turno.
O jogo foi realizado no Estádio Pedro Victor de Albuquerque, antigo nome do Lacerdão, em Caruaru.
O time coral abriu boa vantagem no primeiro tempo, com gols de Marlon e Jacozinho. Mas baixou a guarda no segundo tempo e sofreu o empate. Jorge Vinícius e Evandro marcaram para os donos da casa.
A decisão do terceiro turno foi para os pênaltis. E aí brilhou a estrela de um dos maiores goleiros da história do Santa Cruz: Birigui. Ele defendeu a cobrança do meio campista André Luís dando a vitória por 5x4 aos tricolores.
A decisão
Quatro dias depois, Sport e Santa Cruz entravam em campo, na Ilha do Retiro, para a grande decisão do Pernambucano. E o goleiro Birigui voltaria a fazer milagres, ganhando o apelido de “São Birigui”.
Não faltaram ingredientes de uma final de campeonato. No primeiro tempo, um jogo equilibrado, tenso, de muita marcação, faltas e discussões, sem tantas oportunidades para ambos os lados.
No segundo, os tricolores recuaram para segurar o 0x0 no placar e ficar com o título. Os rubro-negros, comandados por Ênio Andrade, foram com tudo em busca da vitória, que forçaria a realização de outra partida extra, desta vez, sem vantagem para ninguém.
A vitória do Sport ficou no quase. Esbarrou nas grandes defesas do camisa 1 coral. Pelo menos três delas foram classificadas como milagres, em finalizações de Luís Carlos e Henágio, meia campeão pelo Santa em 1983 e que reforçava o Leão naquele ano.
Trilado o último apito, começou a festa dos tricolores na arquibancada. Pouco depois, os refletores da Ilha do Retiro se apagaram. A penumbra não atrapalhou a comemoração nem a provocação do então presidente do Santa.
Zé Neves pegou a bandeira da uma torcida organizada e correu com ela pelo gramado, fincando-a no centro do terreno sagrado dos rubro-negros.