Conselheiros do Santa Cruz articulam movimento interno para cobrar diretoria
Salários atrasados, ações na CNRD e SAF: conselheiros do Santa Cruz detalham crise em pedido de reunião
Publicado: 07/06/2026 às 18:06
Reunião no Conselho Deliberativo (Evelyn Victoria/SCFC)
Uma articulação política começou a se desenhar nos bastidores do Santa Cruz. Um grupo de conselheiros efetivos está colhendo assinaturas para forçar a realização de uma Reunião Extraordinária e obrigar a Diretoria Executiva a prestar contas. No texto da convocação, que serve como base para o pedido, os conselheiros detalham um diagnóstico da crise tricolor, citando desde a greve de atletas e processos milionários até a falta de transparência nas negociações do novo modelo da SAF.
O objetivo é obter assinaturas para alcançar o quórum superior a um quinto (1/5) dos conselheiros efetivos e, dessa forma, convocar uma Reunião Extraordinária em caráter de urgência, com o intuito de solicitar esclarecimentos sobre a grave situação financeira, administrativa e institucional do clube.
Os articuladores da iniciativa baseiam o pedido em nove pontos considerados críticos, acumulados nas últimas semanas, que, segundo eles, ainda não foram oficialmente esclarecidos pela atual gestão.
Principais pontos no documento
Para justificar a abertura da reunião extraordinária, o grupo de conselheiros detalha no documento um cenário de asfixia financeira e falta de transparência:
Greve e atrasos: O estopim da insatisfação aumentou após o elenco profissional cancelar o treino do último sábado (6) em protesto contra salários atrasados. Nas categorias de base, o documento relata que atletas enfrentam até seis meses sem receber.
Rombo na CNRD e caso Felipe Alves: Consta no texto que o Tricolor acumula cerca de R$ 11 milhões em dívidas na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF. A situação descrita como mais grave é a ação do goleiro Felipe Alves, estimada em R$ 7 milhões, na qual o clube perdeu o prazo para apresentar defesa.
Risco de punição e lojas fechadas: Os conselheiros apontam um passivo de R$ 300 mil pelo não recolhimento do INSS dos jogos no Recife desde 2025, o que pode fazer a CBF proibir a venda de ingressos. Paralelamente, relatam que as lojas oficiais e o e-commerce estão fechados há seis meses, minando a receita comercial.
Mistério sobre o novo investidor: O documento também expõe que o Executivo anunciou à imprensa um memorando de intenções para a venda da SAF a um grupo liderado por Thairo Arruda (ex-CEO do Botafogo) e a gestora Köli Capital, prevendo o comodato do Arruda por 35 anos. Porém, nenhum parâmetro da nova sociedade ou do distrato com a parceira anterior (Cobra Coral Participações) foi apresentado formalmente ao Conselho.
O que o grupo vai exigir caso atinja o quórum
Assim que o documento atingir o número necessário de assinaturas dos conselheiros efetivos, a mesa diretora será obrigada a convocar a reunião, que terá caráter impositivo. Na ordem do dia estipulada no requerimento, o grupo exige a presença do Presidente do Executivo e dos presidentes das comissões Fiscal e Patrimonial.
A meta dos conselheiros, conforme especificado no texto, é obrigar a gestão a disponibilizar:
- O balanço financeiro auditado de 2025 (atrasado desde 30 de abril);
- A minuta ou distrato com a Cobra Coral Participações;
- O memorando assinado com o novo grupo da SAF;
- O extrato detalhado do uso do Financiamento DIP (de R$ 7,7 milhões).
Conforme o Artigo 48 do Estatuto Social e o Regimento Interno do clube, se o grupo conseguir a assinatura de pelo menos 20% dos conselheiros adimplentes, o requerimento passa a ter força imediata de Edital de Convocação, tornando a reunião obrigatória independentemente do aval da Mesa Diretora.