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Santa Cruz: Arruda completa 54 anos em aniversário de silêncio e portões fechados

No aniversário de 54 anos de Arruda, Santa Cruz vive o silêncio das arquibancadas e incerteza sobre o futuro

Paulo Mota

Publicado: 04/06/2026 às 15:20

Náutico sobre data da semifinal:

Náutico sobre data da semifinal: "condição do Arruda não pode servir de argumento para modificação". (Foto: Bebeto Pires/Cortesia)

O dia 4 de junho costuma ser de celebração para a torcida do Santa Cruz. É a data em que o Estádio José do Rego Maciel, o icônico Mundão do Arruda, comemora mais um ano de história. Neste ano, contudo, o estádio completa 54 anos de existência em meio ao silêncio e à incerteza. Sem receber jogos com público liberado desde 13 de junho do ano passado, o gigante de concreto vive um aniversário melancólico, cercado por um ponto de interrogação sobre quando, e se, voltará a pulsar ainda este ano.

A consequência direta disso é a ausência de qualquer previsão oficial para a reabertura dos portões.

Nos bastidores, a Comissão Patrimonial do Santa Cruz corre contra o tempo para realizar melhorias na estrutura. O esforço tem o suporte financeiro da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), que atualmente arca com custos operacionais, como o aluguel de equipamentos para os reparos. Mas o ritmo das obras esbarra em um duplo desafio: o rigor dos órgãos de fiscalização e o cofre esvaziado.

A reabertura do estádio do Arruda ainda parece distante quando se observa o cronograma dos órgãos públicos responsáveis. Na última inspeção realizada no local, a Defesa Civil identificou diversos problemas estruturais. Alguns setores foram classificados como de “risco muito alto”, enquanto o estádio, de forma geral, recebeu a avaliação de “risco alto”.

A situação se arrasta a ponto de órgãos cruciais de segurança sequer terem iniciado seus protocolos. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar ainda não realizaram as vistorias técnicas necessárias no estádio, passos obrigatórios para a emissão dos laudos de prevenção contra incêndio e de segurança que validam a presença de público.

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O fator financeiro e o "pacto de silêncio"
Diante do impasse, a FPF tenta desenhar uma saída de emergência, mas o próprio presidente da entidade, Evandro Carvalho, admite a complexidade do cenário. Um projeto técnico voltado especificamente para as obras de reabertura deve ser apresentado à federação pela Comissão Patrimonial. A partir deste documento, o plano é ir ao mercado em busca de recursos.

"Estamos pagando aluguel de equipamentos. O projeto para as obras visando abrir o estádio deve ser apresentado e, com ele em mãos, vou buscar captar dinheiro para isso, pois o valor não é baixo", afirmou Evandro Carvalho.

Procurado pela reportagem do DP Esportes, o presidente da Patrimonial, Ariano Lucena não respondeu aos contatos realizados até o fechamento desta matéria. Em caso de retorno, a reportagem será atualizada.

Um aniversário sem festa
Para o Santa Cruz, a interdição prolongada sufoca o clube técnica e financeiramente. Sem o calor da sua torcida no Mundão, a diretoria coral vive a dificuldade de ter que mandar os jogos do clube na Arena de Pernambuco.

Aos 54 anos, o Estádio do Arruda vê seu aniversário distante do papel que o consagrou: o de receber as multidões. Enquanto o projeto de reforma busca financiamento e as vistorias seguem travadas na burocracia, o torcedor tricolor convive com a saudade.

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