Pivetti explica escalação do Náutico na derrota para o CRB e comenta conversas por permanência
Técnico justificou a formação após a liberação antecipada de nove atletas e confirmou que existem conversas com a gestão por continuidade
Na derrota por 3 a 0 para o CRB, neste sábado (7), nos Aflitos, o Náutico foi a campo bastante modificado. Na semana da partida, o clube antecipou as férias de nove jogadores, entre eles sete titulares no último confronto, e o técnico Bruno Pivetti precisou recorrer a uma formação alternativa para a penúltima rodada da competição.
Após a partida, o treinador explicou as decisões e reconheceu que as ausências reduziram a força competitiva da equipe.
Em coletiva, Pivetti afirmou que a liberação dos atletas partiu de uma decisão institucional e fez parte da antecipação do planejamento para 2027. Segundo ele, a utilização de jogadores que tiveram menos oportunidades e de atletas da base não é incomum entre equipes que já cumpriram seus objetivos na reta final da Série B.
“Realmente foi mais uma semana desafiadora, e eu costumo dizer que, quando se tem uma decisão institucional, não se questiona, e sim se cumpre. O clube optou em oferecer férias antecipadas para alguns jogadores, e isso, nessa fase do campeonato, quando se tem já o objetivo concluído, não é algo incomum. A gente vê outras equipes na Série B com a vida resolvida, mesclando o time, oferecendo oportunidade para jogadores que tiveram menos volume, outros oportunizando alguns jogadores da base”, explicou.
O treinador reconheceu, porém, que a ausência de atletas que vinham sendo titulares teve impacto na equipe. O Náutico enfrentou um CRB que ainda disputava uma vaga no G6 e acabou dominado nos Aflitos. Para Pivetti, a diferença de competitividade ficou evidente durante o confronto.
“A gente perde um pouco da nossa força, porque muitos jogadores ali vinham atuando como titulares da equipe. Isso explica muito, ao longo desse período, o porquê da utilização desses jogadores. A gente sempre ouve muito questionamento, crítica, e isso sempre serve para a gente refletir, nós temos sempre que estar atentos a isso”, declarou.
Utilização dos jogadores da base
Questionado sobre a presença de jovens no elenco e a opção por não começar a partida com todos eles, Pivetti destacou as limitações de inscrição. De acordo com o treinador, o Náutico tinha apenas seis atletas da base inscritos e não poderia incluir outros nomes para o confronto.
“Muito se fala por que esses jogadores já não iniciaram a partida, e só lembrando que a gente está jogando contra uma equipe profissional que está brigando pelo G6. A gente sabe da qualidade do trabalho do CRB, e a gente não podia perder consistência competitiva. Então, o que a gente fez foi tentar escalar para ter uma maior solidez e, depois, conseguimos oportunizar os jogadores da base”, afirmou.
O técnico também reforçou que confia no elenco disponível e que a decisão buscou equilibrar a necessidade de dar oportunidades a outros atletas com a exigência de enfrentar um adversário que ainda tinha objetivos na competição.
Conversas para 2027, mas sem definição
Além da análise da partida, Pivetti foi questionado sobre a possibilidade de permanecer no comando do Náutico na próxima temporada. Com a chegada de uma nova gestão ao departamento de futebol, surgiram informações de bastidores sobre o interesse na continuidade do treinador. Ele confirmou que existem conversas, mas ressaltou que ainda não há definição.
“Confirmação ainda não existe, existem conversas, até por isso que a gente está tendo o maior cuidado possível para planejar um 2027 em que o clube tenha um maior nível de organização, para que a gente brigue por algo maior. Eu estando aqui ou não, acho que o clube merece brigar pela classificação na Série A”, disse.
Pivetti também avaliou o peso da permanência na Série B diante do cenário enfrentado pelo Náutico ao longo do ano. O treinador reconheceu que o objetivo pode parecer pouco diante da história do clube, mas ressaltou a importância de garantir a participação em um calendário cheio em 2027.
“É muito pouco para o nosso torcedor, é muito pouco pela grandeza do clube, mas deve-se ser comemorada sim essa permanência, e o calendário cheio do ano que vem. Então não é que foi um ano perdido, foi um ano que foi conquistado um calendário com o Campeonato Pernambucano, com Copa do Brasil, com Copa do Nordeste, mais o Campeonato Brasileiro da Série B”, afirmou.
O treinador ainda destacou que o planejamento para a próxima temporada precisa ser conduzido com cuidado para reduzir a margem de erro. Ao falar sobre a possibilidade de seguir no clube, voltou a demonstrar identificação com o Náutico e disse esperar que as conversas avancem.
“Espero que a gente avance nas tratativas, porque eu gosto muito do clube, tenho uma identificação grande. Às vezes os torcedores não entendem certas tomadas de decisão, mas somente quem estava no dia a dia viu a dificuldade que foi essa luta pela permanência. Ainda bem que conseguimos, e agora o clube tem condições de planejar com tranquilidade um 2027 melhor”, concluiu.