Beto Lago: 'Quem esquece seus ídolos apaga o passado e enfraquece a própria identidade no presente'
Ídolos são pontes vivas entre gerações, símbolos que carregam identidade, pertencimento e história
Publicado: 26/03/2026 às 10:23
Pelé durante a sua passagem no Cosmos (New York Cosmos / Divulgação)
Nossos ídolos
Na semana passada, a Globo Recife exibiu uma reportagem que aquece o coração de quem ama esporte. O comentarista e gente boa Cabral Neto foi surpreendido com o encontro diante do seu ídolo, Zico, que esteve no Recife para lançar seu documentário. Um instante simples, mas carregado de significado, daqueles que nos fazem lembrar por que o esporte é tão poderoso. Porque encontrar um ídolo não é só um encontro. É quase um retorno à infância, um reencontro com sonhos que ajudaram a moldar quem somos. E isso, mesmo para quem vive o jornalismo esportivo todos os dias, segue sendo um privilégio para poucos. Confesso que, ao assistir, viajei no tempo. Lembrei dos meus próprios capítulos nessa história. De Pelé, que tive o prazer de conhecer pessoalmente em uma de suas vindas ao Recife, inclusive no período do Cine/PE, em um momento que o tempo não apaga. E de Renan Dal Zotto, gigante do vôlei mundial, que encontrei em um jogo da Seleção Brasileira no Geraldão. Ali, tive a alegria de presenteá-lo com o livro que escrevi, ao lado de Kléber Medeiros, sobre a história do ginásio recifense. Pequenos grandes instantes que a memória guarda com um cuidado especial. E é por tudo isso que fica aqui um pedido, quase um apelo, aos nossos clubes: não ignorem seus ídolos. Eles não são apenas parte do passado. São pontes vivas entre gerações, símbolos que carregam identidade, pertencimento e história. Tê-los por perto é manter acesa a chama que faz o torcedor acreditar, sonhar e, sobretudo, sentir.
E é por isso que o alerta precisa ser mais direto e até incômodo. Nossos clubes, em sua maioria, pouco fazem pelos seus ídolos. Muitos são ignorados, afastados, esquecidos. Tratam como página virada quem, na verdade, ajudou a escrever os capítulos mais importantes da própria história. Falta sensibilidade, memória e visão. Ídolo não é só lembrança de arquivo ou imagem em rede social em dia de aniversário.
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Ídolo conecta torcida e clube
Ídolo é presença, é referência no dia a dia, é elo com a torcida, é identidade viva dentro do clube. Ao deixá-los de lado, os clubes não apenas cometem uma injustiça com quem construiu sua grandeza. Perdem também a chance de fortalecer o sentimento de pertencimento, algo que dinheiro nenhum compra. Porque, no fim das contas, um clube sem ídolos por perto é um clube desconectado da sua própria essência.
O craque Rivaldo visita o América
A presença de Rivaldo em Pernambuco vai muito além de uma visita protocolar. É uma aula para quem ainda está tentando encontrar seu caminho no futebol. O nosso campeão mundial marcou presença nos clubes locais, entre eles com os garotos do Sub-20 do América, no Ademir Cunha. Ali, mais do que observar, Rivaldo representou aquilo que nenhum esquema tático ensina: referência. Para jovens em formação, dividir o mesmo espaço com um jogador que saiu de origens simples e alcançou o topo do futebol mundial não é detalhe, é combustível. É a materialização de que o improvável pode, sim, acontecer.