Mourinho sobre Vini Jr.: 'Nunca vou prejudicar a equipe para beneficiar um jogador'
Técnico do Real Madrid, português foi questionado sobre o momento do atacante da Seleção Brasileira no gigante espanhol
Publicado: 06/11/2026 às 09:33
Vini Jr. e José Mourinho (JOSE HERNANDEZ / ANADOLU / ANADOLU VIA AFP)
O técnico do Real Madrid, José Mourinho, defendeu nesta sexta-feira, 6, ao ser questionado sobre a situação do brasileiro Vinícius Júnior, que "nunca" vai "prejudicar a equipe para beneficiar um jogador", embora tenha reconhecido que é preciso "continuar trabalhando" com o jogador, ao mesmo tempo em que garantiu que ao uruguaio Fede Valverde "ser capitão lhe deu um senso de responsabilidade", embora "não seja algo fácil".
"Não posso comparar com o Valverde da temporada passada porque não o conhecia, mas desde que começamos a trabalhar juntos tenho visto um excelente profissional, humilde, amigo dos companheiros, sem ser uma daquelas vozes que se fazem ouvir todos os dias, a cada segundo. É um rapaz que está presente como um bom exemplo para todos e, obviamente, o fato de ser o capitão do Real Madrid lhe deu um senso de responsabilidade; ser capitão não é algo fácil", destacou sobre o uruguaio na coletiva de imprensa que antecedeu o confronto contra o Valencia CF neste sábado (21h) no Mestalla.
Além disso, ele analisou a situação de Vinícius, sobre quem disse que, em Atenas, na Liga dos Campeões, fez "uma partida muito aceitável". Questionado se considera que o time joga melhor sem o brasileiro, suspenso na Liga, o português foi categórico e priorizou o coletivo. "Para mim, o mais importante é a equipe. Nunca vou prejudicar a equipe para beneficiar um jogador", afirmou.
"Um técnico deve fazer tudo, mas tudo mesmo, para manter seus jogadores no nível máximo, experimentando diferentes estratégias, tanto de jogo quanto de gestão de pessoal. Um jogador ruim sempre será um jogador ruim; um jogador muito bom é aquele que pode passar por momentos negativos, mas mantém a porta aberta para voltar à sua situação normal. Por isso, vamos continuar trabalhando com todas as estratégias possíveis; há uma que, para mim, é muito importante: a amizade dos companheiros, todos, sem exceção", acrescentou sobre o "7".
Neste sábado, eles visitam o Valencia pela última vez no atual Mestalla, embora o português não seja "do tipo que sinta muita saudade". "Eu vejo o Valencia como um grande clube. A partida de amanhã é uma das mais difíceis de toda a Liga, um técnico que é muito exigente, um homem com muita experiência que sabe perfeitamente o que quer para suas equipes. Será uma partida muito difícil para nós", previu.
"Tenho medo da partida de amanhã, medo entre aspas. A dificuldade do jogo de amanhã é a minha preocupação. A seleção não vejo como um problema, desde que os treinadores respeitem os minutos que lhes são concedidos. Não me preocupa nem um pouco que um jogador tenha a honra de ir jogar pelo seu país, de ir jogar com suas seleções. E o problema para mim é o jogo de amanhã contra um time descansado, um time que teve uma semana inteira para se preparar com um técnico que não está preocupado se vai jogar maravilhosamente bem ou não tão bem assim; ele está preocupado em vencer", acrescentou.
Além disso, Mourinho ironizou sobre o calendário e essa pausa internacional. "Graças à decisão de jogarmos no sábado, os jogadores que vão para a seleção têm o domingo de folga para ficarem descansados, para na segunda-feira irem para a seleção e ficarem felizes porque tiveram um dia de folga com a família", disse ele.
O técnico de Setúbal também confessou que "gostaria" que, no jogo entre Atlético de Madrid e FC Barcelona, "os dois perdessem". "Para mim, é um jogo muito fácil, porque alguém vai perder pontos. Por exemplo, na semana passada, nós vencemos, o Barcelona venceu, o Atlético de Madrid venceu. Este é um fim de semana em que sabemos que um deles, ou os dois, vão perder pontos. Não me importa", afirmou sobre o confronto entre o segundo colocado e o líder.
Diante do pedido da Associação de Jogadores de Futebol Espanhóis (AFE) para suspender a rodada devido à morte do jogador do CD Tenerife, Jesús de Miguel, Mourinho refletiu e apoiou a decisão da família do jogador. "Há homenagens bonitas e bem organizadas que serão realizadas de forma generalizada em todas as competições. De qualquer forma, se fosse possível conversar com Jesús e fazer a pergunta a ele, seria o ideal. Como isso é impossível, apenas sua família e seus companheiros podem responder. Não me parece que algum de nós possa dizer isso ou aquilo, pois não sabemos. A homenagem é a Jesús, então que falem aqueles que o conhecem profundamente", defendeu.
Por fim, o técnico do Real Madrid disse que respeita a decisão de Cristiano Ronaldo de se aposentar da seleção portuguesa. "Ele não encerrou a carreira; quem o conhece sabe que ele ainda tem objetivos. Gostaria que, quando ele se aposentar, fosse diferente do que aconteceu ontem. É cedo até mesmo para fazer qualquer comentário, pois ele ainda é jogador de futebol", concluiu.