Fim de um ciclo: como fica a Seleção Brasileira rumo à Copa de 2030
Carlo Ancelotti iniciará reconstrução do Brasil após eliminação para a Noruega; Diario analisa elenco e opções do treinador
A eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 encerrou precocemente o sonho do hexacampeonato brasileiro no mata-mata, mas também marcou o início de um novo ciclo na Seleção.
Com Carlo Ancelotti confirmado no comando até o Mundial de 2030, o treinador italiano terá pouco tempo para iniciar a reformulação da equipe. Os dois amistosos contra a Austrália, nos dias 25 e 29 de setembro, em Townsville e Brisbane, respectivamente, serão os próximos compromissos.
Embora tenha comandado a Seleção por um curto período antes da Copa, Ancelotti conseguiu consolidar algumas peças e identificar setores que exigem mudanças profundas.
O Diario de Pernambuco analisou o elenco utilizado no Mundial, além de jogadores que participaram do ciclo e podem voltar a aparecer nas próximas convocações. A tendência é de uma renovação gradual, preservando atletas ainda em alto nível, mas abrindo espaço para uma nova geração.
Goleiros: renovação é necessária
A posição de goleiro deverá passar por uma transição natural. Dos três convocados para a Copa, apenas Alisson entrou em campo. O jogador do Liverpool segue como uma possível permanência no início do ciclo, embora chegue a 2030 com 37 anos, idade que naturalmente gera dúvidas sobre sua permanência em alto nível e pode tirá-lo do próximo elenco brasileiro.
Ederson e Weverton também estarão acima dos 35 anos no próximo Mundial, o que aumenta a necessidade de preparar sucessores.
Entre os nomes que aparecem no radar estão Carlos Miguel, do Palmeiras, Hugo Souza, do Corinthians, e Bento, atualmente no Al-Nassr, todos já observados pela comissão técnica durante o ciclo anterior.
Zagueiros: Gabriel Magalhães lidera setor que ainda depende de Militão
A zaga brasileira deve manter uma base. Gabriel Magalhães, um dos titulares na Copa, chega fortalecido para liderar o setor até 2030, quando terá 32 anos. Ao seu lado, Bremer e Ibáñez, dois que não se destacaram na Copa, também podem seguir sendo opções frequentes, embora ambos também ultrapassem a marca dos 30 anos no próximo Mundial.
Léo Pereira, que terá 34 anos em 2030, precisará manter rendimento para seguir competitivo diante da concorrência. Já Éder Militão, desfalque da Copa por lesão e um dos jogadores mais lamentados por Ancelotti, deve voltar naturalmente ao grupo e disputar posição entre os titulares.
Pensando no futuro, alguns jovens aparecem como fortes candidatos. Murillo, destaque do Nottingham Forest, Lucas Beraldo, do Paris Saint-Germain, e Vitor Reis, atualmente no Girona, despontam como possíveis herdeiros da posição, principalmente diante da provável saída de Marquinhos ao longo do ciclo. O capitão da Seleção na Copa de 2026 terá 36 anos em 2030.
Laterais: setor segue como uma preocupação
A lateral esquerda terminou o Mundial com um saldo positivo. Douglas Santos foi um dos melhores jogadores da Seleção e se consolidou como titular absoluto. O desafio será administrar sua idade. Em 2030, o lateral terá 36 anos.
Alex Sandro certamente não seguirá no próximo ciclo, abrindo espaço para nomes como Luciano Juba, atualmente no Bahia, Kaiki Bruno, do Como, e Caio Henrique, do Monaco.
Na lateral direita, a renovação parece ainda mais evidente. Danilo, que não teve bom desempenho no Mundial e chegará aos 38 anos em 2030, dificilmente continuará no grupo. Wesley, de 22 anos e cortado da Copa por lesão, desponta como principal aposta para assumir a posição durante os próximos anos.
Meio-campo: setor deve passar pela maior reformulação
Entre todos os setores, o meio-campo talvez seja o que mais deva mudar nas mãos de Ancelotti. Casemiro e Fabinho não conseguiram repetir o desempenho de outras temporadas e certamente não chegam ao próximo Mundial.
Bruno Guimarães, apesar da atuação abaixo diante da Noruega, fez uma boa Copa e deve permanecer como principal referência da equipe. Danilo Santos não comprometeu, mas também não conseguiu se firmar como titular absoluto, enquanto Éderson recebeu poucas oportunidades e terminou o torneio sem grande destaque.
Peça que pode voltar ao grupo é Andrey Santos, que ficou fora da convocação final, mas continua sendo um dos jovens mais promissores da posição.
Na criação, a Seleção ainda busca soluções. Lucas Paquetá pode permanecer no ciclo, mas Ancelotti precisará desenvolver novas alternativas para o setor. Rodrygo, que ficou fora da Copa por lesão, surge como um dos principais candidatos a exercer a função de camisa 10. É valorizado por Ancelotti.
Ataque: juventude garante opções até 2030
Se há um setor em que a Seleção não sofre com falta de opções, é o ofensivo. Vini Jr. continuará sendo o principal nome do ataque brasileiro rumo a 2030, liderando uma geração que ainda conta com Gabriel Martinelli, Matheus Cunha, Rayan e Endrick, esse que deve ser trabalhado para ocupar a titularidade no centro de ataque.
Raphinha também pode permanecer, principalmente se mantiver o alto nível apresentado pelo Barcelona, embora sua produção nesta Copa tenha ficado abaixo das expectativas. Igor Thiago e Luiz Henrique, que perderam espaço durante a passagem de Ancelotti, precisarão mostrar evolução para voltar a disputar uma vaga.
O grupo ainda deve ganhar reforços importantes. Estêvão, cortado da Copa por lesão, é tratado como um dos principais talentos da nova geração. João Pedro, que ficou fora da lista final, além de Vitor Roque e Kaio Jorge, aparecem como candidatos naturais para ampliar a disputa no setor ofensivo.
A única certeza é a ausência de Neymar. O camisa 10 confirmou que a Copa de 2026 marcou sua despedida dos Mundiais. Maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, ele terá 38 anos em 2030 e deixa espaço para que uma nova geração assuma o protagonismo da equipe nacional.