FMI sinaliza que países devem retornar à austeridade devido à dívida pública mundial
Diretora-geral do FMI classificou como altamente adequadas as recentes altas de taxas efetuadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), pelo Banco Central Europeu e pelo Banco Central do Japão
Publicado: 07/10/2026 às 19:07
Sede do FED, nos EUA: previsão de manutenção de juros ajudou as ações. Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP - 14/6/17 ()
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, apelou aos governos endividados e bancos centrais para que "apertem o cinto" em um retorno às políticas de austeridade fiscal. “Terminaram os tempos em que os governos podiam contar com dinheiro barato e crescimento rápido para manter as dívidas sob controle.
Os responsáveis políticos já não podem contar apenas com taxas de crescimento mais elevadas para resolver os problemas orçamentários”, afirmou Georgieva, que pediu maior disciplina na despesa pública e políticas monetárias mais severas em todo o mundo.Segundo a diretora-geral do FMI, a dívida pública mundial está próxima dos níveis registrados após a Segunda Guerra Mundial e poderá ultrapassar 100% do PIB antes de 2030.
“As economias avançadas são as principais responsáveis. E, ainda assim, não vemos ação decisiva nas economias desenvolvidas com elevada dívida, onde o que se impõe são planos credíveis de consolidação orçamentária de médio prazo. O espaço fiscal precisa urgentemente ser reforçado. Os custos de financiamento já estão subindo, com os rendimentos das obrigações do Estado a 10 anos nos Estados Unidos, na Alemanha e no Japão nos níveis mais altos desde 2007, 2009 e 1996, respectivamente”, alertou.
Política monetária e choque de IA
Em relação à política monetária, Georgieva classificou como altamente adequadas as recentes altas de taxas efetuadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), pelo Banco Central Europeu e pelo Banco Central do Japão. “Agora poderá ser um bom momento para muitas políticas monetárias adotarem uma inclinação prudentemente restritiva”, disse.
A responsável do FMI também advertiu que a economia mundial está sendo puxada em direções opostas por um choque negativo na oferta de energia devido à guerra no Irã e por um choque positivo na demanda associado à inteligência artificial. “Mas o impacto combinado destas duas forças é altamente desigual entre as regiões”, indicou.
O preço do petróleo se encontra perto dos 100 dólares por barril, afirmou, bem acima dos 89 dólares que o FMI tinha assumido para este ano nas previsões de julho, que apontavam para um crescimento mundial de 3% em 2026 e 3,4% em 2027. “Mesmo que a guerra no Golfo termine em breve, o problema dos preços elevados da energia deverá se manter durante algum tempo”, adiantou Georgieva.
IA traz mais riscos à economia
A chefe do FMI descreveu a inteligência artificial como um motor que está se tornando rapidamente determinante para a posição relativa dos países na economia mundial.
“Se for bem aproveitada, a inteligência artificial poderá aumentar o crescimento global em até meio ponto percentual por ano, segundo estimativas do FMI. Ao longo de uma década, isso equivaleria a acrescentar uma economia do tamanho da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) à economia mundial”, explicou Georgieva.
No entanto, a onda de desenvolvimento acelerado de capacidades em IA é inflacionária, com as despesas na tecnologia, em proporção ao tamanho das economias, podendo superar anteriores ondas de investimento em redes elétricas e telecomunicações.
“Uma eventual desilusão para os investidores poderá se transformar em um choque de grande alcance”, alertou, assinalando ainda riscos que vão desde perdas de emprego e ciberataques até modelos de vanguarda que podem escapar ao controle humano.
O aviso de Georgieva acontece antes das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, que serão realizadas na próxima semana em Bangkok, na Tailândia. O FMI deverá publicar previsões atualizadas de crescimento mundial durante o encontro.