Combustíveis: Pernambuco é um dos estados com maior redução de preços do país
Com retração de 1,88%, Pernambuco lidera o recuo do diesel S-10 e entre os cinco com maior redução no valor da gasolina. Dados se referem a agosto deste ano
Publicado: 31/08/2026 às 15:24
Preço dos combustíveis caiu pelo terceiro mês seguido em agosto (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Pernambuco registrou em agosto a maior queda do país no preço médio do diesel S-10, com recuo de 1,88% em relação a julho, segundo levantamento da ValeCard, empresa de meios de pagamento.
O estado também apareceu entre os cinco com maior retração na gasolina, com baixa de 1,24%, no terceiro mês consecutivo de queda nos três combustíveis monitorados pela pesquisa: gasolina, etanol e diesel S-10. Os dados são de transações feitas entre 1º e 26 de agosto em mais de 25 mil postos credenciados no país.
No Nordeste, o movimento de queda foi generalizado, mas com intensidades diferentes por estado. A Bahia teve o maior recuo percentual da gasolina em todo o país, de 1,83%, completando três meses seguidos de baixa e acumulando queda de 3,89% desde maio. No etanol, o estado baiano também se destacou, com retração de 4,40% ante julho.
Já no diesel, a Bahia teve comportamento oposto ao restante da região, com alta de 0,84%. O Rio Grande do Norte teve a segunda maior queda da gasolina do país, de 1,75%, e a Paraíba, a segunda maior baixa do diesel S-10 nacional, de 1,71%. Sergipe destoou do padrão regional, sendo um dos dois únicos estados do país com alta no etanol em agosto (0,13%) e também teve elevação no diesel (0,77%).
Por que o etanol caiu mais que a gasolina?
Em nível nacional, o etanol liderou as quedas pelo terceiro mês seguido, com recuo de 2,06% ante julho, mais do que o dobro da baixa da gasolina (0,68%) e do diesel S-10 (0,51%).
Desde maio, a queda acumulada do etanol chega a 7,45%, contra 1,21% da gasolina e 1,97% do diesel. Na média do país, o litro da gasolina passou de R$ 6,821 para R$ 6,774, o etanol caiu de R$ 4,365 para R$ 4,275 e o diesel S-10 foi de R$ 7,196 para R$ 7,159.
A explicação está no calendário agrícola, agosto está no auge da safra de cana-de-açúcar, quando as usinas produzem mais etanol e a oferta do combustível aumenta no mercado interno, pressionando os preços para baixo. É um padrão sazonal que se repete todo ano no período de entressafra da colheita, diferente da gasolina e do diesel, cujos preços dependem mais de fatores como cotação internacional do petróleo e câmbio.
Essa queda mais acentuada ampliou a vantagem do etanol sobre a gasolina para o consumidor. Para veículos flex, o etanol só compensa financeiramente quando custa até 70% do preço da gasolina - regra prática usada porque o etanol rende menos quilômetros por litro. Em agosto, 17 estados ficaram dentro dessa faixa, contra 13 em julho e 10 em junho, com os melhores índices em Roraima (54%), Mato Grosso (56%), Amapá (59%) e São Paulo (59%).
O papel da subvenção do governo
Parte da acomodação de preços também tem origem em uma medida do governo federal. Desde maio, uma subvenção de R$ 0,44 por litro reduz o preço da gasolina nas bombas, criada em meio à alta do petróleo provocada pela guerra entre Israel e Irã, e que também contempla o diesel. O benefício está amparado pela Medida Provisória 1358/26 e foi prorrogado pela segunda vez em 26 de agosto, estendido até 9 de setembro, data-limite de validade da MP.
Segundo cálculos do próprio governo, o custo mensal da subvenção é de R$ 1,2 bilhão para a gasolina e R$ 5,1 bilhões para o diesel. Ainda tramita no Congresso um projeto complementar sobre combustíveis que pode dar base legal para manter esse tipo de desconto por mais tempo, mas o texto ainda não foi sancionado pela presidência.
* Com Agência Brasil
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