Exportadores de café defendem nos EUA isenção de tarifas para o produto
Conselho dos Exportadores de Café do Brasil falou na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, em Washington
Publicado: 07/07/2026 às 18:17
Fachada do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (Reprodução/USTR)
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) defendeu na segunda-feira (6) que o governo dos Estados Unidos mantenha a isenção tarifária concedida à maior parte dos produtos de café brasileiros e estenda o benefício ao café solúvel sem adição de aromatizantes.
Em depoimento apresentado durante audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que realiza a investigação comercial da Seção 301 contra o Brasil, o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o café brasileiro é "insubstituível" para o mercado norte-americano e alertou que a imposição de tarifas elevaria custos para a indústria e para os consumidores dos Estados Unidos.
Segundo Matos, o Brasil responde por mais de 30% do mercado de café dos Estados Unidos e é o principal fornecedor do país. "Os cafés brasileiros não podem ser substituídos de forma viável", afirmou. O executivo ressaltou ainda que o Brasil tem uma cadeia produtiva "organizada, eficiente e transparente", capaz de garantir o abastecimento sustentável da indústria norte-americana.
O principal pleito da entidade é a inclusão do café solúvel sem aromatizantes (HTS 2101.11.21) na lista de produtos isentos das tarifas da Seção 301. De acordo com o depoimento, os Estados Unidos praticamente não produzem esse tipo de café, embora ele seja um insumo essencial para bebidas prontas para consumo (RTD) e cold brew, categorias consumidas diariamente por cerca de 53 milhões de adultos no país. Sem a isenção, argumenta o Cecafé, fabricantes norte-americanos de produtos de maior valor agregado ficam em desvantagem competitiva frente a concorrentes estrangeiros.
A entidade informou ainda que, em 2025, o Brasil exportou perto de 15 milhões de quilos de café solúvel sem aromatizantes para os Estados Unidos, volume equivalente, em média, a mais de 30% das importações norte-americanas desse produto nos últimos cinco anos.