Cresce a pressão sobre Ibaneis Rocha no caso BRB-Master
Rodrigo Rollemberg afirma que ex-governador comandou as operações do Banco de Brasília com a instituição de Daniel Vorcaro. Ministro da Fazenda, Dario Durigan, diz que ele "possivelmente, será preso"
Vanilson Oliveira - Correio Braziliense
Publicado: 03/06/2026 às 10:19
Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) (Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)
O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmou, nesta terça-feira (02), que o ex-governador do DF Ibaneis Rocha (MDB-DF) comandou as operações entre o BRB e o Banco Master e cobrou do ex-presidente do banco estatal Paulo Henrique Costa (PHC) que revele às autoridades quem participou do esquema, quem recebeu recursos e qual foi o destino do dinheiro. Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que a origem do rombo do BRB é criminal, que Ibaneis está sendo investigado e, "possivelmente, será preso também".
Segundo Rollemberg, a recuperação dos bilhões desviados do BRB depende da delação premiada de PHC. O Correio conversou com Rollemberg, que reforçou as acusações contra o ex-governador e afirmou que a operação de compra do Banco Master pelo BRB teve participação direta de Ibaneis. "O maior defensor, garoto-propaganda da operação de compra do Banco Master pelo BRB, que já era uma forma de esconder a operação anterior de compra de 12 bilhões de títulos inexistentes do Master pelo BRB, foi o governador Ibaneis", afirmou.
Segundo o deputado, houve uma articulação política para tentar garantir a aprovação da operação junto ao Banco Central. "Ele chegou ao ponto de contratar Michel Temer para tentar reverter a decisão do Banco Central. Há conversas em que Vorcaro relata à namorada que ele está no Palácio com Ibaneis, na residência de Ibaneis, tramando uma verdadeira operação de guerra para garantir a aprovação da compra do Banco Master pelo BRB."
Rollemberg também citou movimentações políticas ocorridas no mesmo período envolvendo discussões sobre o Banco Central, quando, segundo ele, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) tentou apresentar um projeto de lei que permitia a troca de diretores da autoridade monetária. Para o parlamentar, não há dúvidas sobre quem teria conduzido as decisões relacionadas à operação.
"É absolutamente claro, cristalino, óbvio, que quem comandou essa operação foi o governador Ibaneis. Nenhuma operação deste tamanho aconteceria sem que fosse determinada pelo governador Ibaneis", declarou.
Durante o discurso na tribuna, o deputado citou reportagem publicada pelo Correio Braziliense segundo a qual PHC teria informado às autoridades que recebeu orientações para autorizar operações financeiras entre o BRB e o Banco Master. De acordo com Rollemberg, as revelações reforçam a necessidade de aprofundamento das investigações. "Em contato com as autoridades, ele afirmou ter recebido mensagens cifradas que foram comandos para autorizar transações com o banco de Daniel Vorcaro".
Para Rollemberg, a delação premiada de Paulo Henrique Costa pode ser decisiva para esclarecer o caso. O parlamentar afirmou que o ex-presidente do BRB teria informações sobre o destino dos recursos e sobre quem foi beneficiado financeiramente pelas operações investigadas. "É claro e é óbvio que as pessoas receberam por isso. É importante que o Paulo Henrique possa esclarecer todos os detalhes, porque, como ele disse, ele sabe onde está o dinheiro, ele sabe onde está o dinheiro no exterior e ele sabe quanto cada um recebeu".
Ele voltou a reafirmar que as investigações precisam identificar os responsáveis pelas operações e recuperar eventuais recursos desviados. "É importante descobrir para onde foi esse dinheiro para poder pegar o dinheiro de volta, prender aqueles que roubaram o dinheiro e cobrir o rombo do BRB", disse.
Caso de polícia
Em entrevista à revista Veja, o ministro da Fazenda revelou que as audiências intermediadas pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), com a União e o GDF visavam que o rombo fosse coberto pelo governo federal. O ministro respondeu que a proposta "era inadmissível". O GDF precisa obter um empréstimo de R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), valor que será utilizado para reforçar o capital do BRB.
Ele frisou que o problema foi gerado pelo governo local, que tem a responsabilidade de resolver o caso. "Teria que pagar de toda forma. A responsabilidade é do governo do DF, em especial do governador que estava ali presente autorizando essas transações, para dizer o mínimo, fraudulentas e muito ruins para a população do DF."
Advogado de Ibaneis Rocha, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que as declarações do ministro são "irresponsáveis".